Começa hoje
Logo mais à noite – se a Gol não atrasar e o viado do São Pedro permitirem – desembarco no pago para uma visita à la Lula: vapt vupt, mas sempre com algum alarde.
Breve imagens e histórias de reencontro.
Anderson Passos
Add comment 06/11/2009
“Bilhete premiado”
No sábado passado (31/10) eu estava convencido de assistir ao Bastardos Inglórios, do Tarantino. E externei meu desejo para Camila e esposa. Entusiasmo geral em casa. Ocorre que a namorada de Camila, sempre na rua da amargura quando o assunto é dinheiro, exibia um vale ingresso para assistir qualquer filme.
Me banhei, pus uma roupa bem mais ou menos e me preparava para sair quando me ocorreu perguntar onde o filme estaria passando, já que a Mostra de Cinema de São Paulo ocupava muitas salas de exibição.
Só havia horários nas salas de cinema dos shoppings Eldorado e Iguatemi. No entanto, como já passava das 21h30min, a sessão do Eldorado já havia ido para os côcos. Restava o Iguatemi.
Daí que tive um estalo e disse a elas:
- Não vou mais.
Muxoxo geral. Elas também desistiram. A namorada da Camila dando pulos de raiva porque eu pilhara e me recolhera. E ela com um ingresso grátis na mão.
Ponderei que elas assistissem qualquer filme para não perder o brinde. Eu não iria. Só me interessava o Tarantino.
Então elas tornaram a insistir com a ida ao Iguatemi. Nisso eu já tirara a roupa com que sairia. Diante da insistência, ia me vestindo quando tive outro estalo:
- Já viu se esse brinde vale no Iguatemi? Não tá fácil demais esse negócio?
Batatíssima! O brinde vetava ida ao cinema do Iguatemi, como de outros shopping mais “sofisticados” como o palacete do Cidade Jardim.
Quando a esmola demais o santo desconfia, já diz o ditado. Caiu como uma luva.
Ficamos em casa naquela noite meio que mergulhados em frustração, que só passou quando finalmente o presente grego foi picotado.
Anderson Passos
Add comment 05/11/2009
Flu respira
A namorada de Camila é flamenguista roxa, ainda que tenha alguma ciência das limitações do time. Dia desses, trajando uma velha camisa do Mengo, ela me veio com um olhar penoso e, querendo me incentivar, disse que o Fluzão não cairia para a segunda divisão.
Dada a má fase do time, só pude reagir de uma maneira. Com um desafio.
- Se o Flu não cair, eu dou a volta no quarteirão com a calça arriada.
O desafio se fez há duas semanas. E eis que, de lá para cá, o Fluminense buscou um jogo perdido contra o Goiás em casa (2×2) e venceu o Atlético Mineiro (2×1). No minuto em que escrevi essas linhas, o Tricolor das Laranjeiras fazia 3×2 no Cruzeiro, em pleno Mineirão e de virada.
Diante desse noticiário, foi o que bastou para a namorada da Camila e ela mesma passarem a acompanhar cada rodada do Brasileirão com interesse incomum. E tanto, que sabem mais do que eu. Se bobear escalam até o time.
Com tudo isso, começo a alimentar esperanças que eu já julgava mortas. A droga é que tem um desafio no meio disso. E eu sou um sujeito de palavra.
Anderson Passos
Add comment 04/11/2009
Mistérios
Na noite da última quarta-feira (28/10) movi montanhas para chegar logo em casa a tempo de conferir o futebol, coisa que não faço com muita frequência dada a fase dantesca atravessada pelo Fluminense, o tricolor do coração.
Evidentemente, esperava ver meu esforço recompensado na esperança de assistir o pega entre São Paulo e Internacional, agremiações as quais tenho um divertido horror. No entanto, sendo o jogo decisivo, por que não assistir?
Eis que cheguei em casa, esfregando as mãos com expectativa. Sintonizei a Globo e esperava o passar dos minutos num bom humor fantástico.
De repente, as câmeras globais começaram a rondar todos os estádios que abrigariam partidas naquela noite e como se o espectador estivesse numa roleta russa viciada, o jogo que passou a ser exibido foi exatamente… Vitória e Corinthians. Um jogo maldito de dois times que nada têm a fazer no campeonato.
Foi o que bastou para o meu humor fantástico se transformar em ódio em fração de segundos. Deus e o Diabo são testemunhas dos impropérios que dirigi à programação da emissora.
Quase sem esperanças, ainda tentei zapear para a Band. O mesmo maldito jogo. Novas e renovadas maldições aos programadores das duas TVs.
Até que finalmente desliguei a TV e fui ao rádio salvador. E, ao som do Deva Pascovitch, na fiel CBN, pude “ver” o jogo. Sim, com o Deva, isso é possível. Pena que a partida não empatou como eu desejava. Meno male que minha mama em Porto Alegre poderá dormir descansada com o luto colorado do pátio ao lado.
Anderson Passos
Add comment 30/10/2009
Sobre o liberar geral
Há quem defenda – não só usuários, como políticos igualmente – que se aprove imediatamente mudanças na legislação sobretudo em relação à posse e ao tráfico de drogas.
Defende-se por aí, por exemplo, que o consumo da maconha não passe pelas sanções da lei. Donde a pergunta que me vem é esta: Sanções? Quando? Onde? Desde que me conheço por gente nunca vi ninguém ser preso por posse de maconha. Em tempo algum, quanto mais agora onde o sujeito anda na rua e se vê abalrroado pelo insuportável cheiro da erva maldita.
Os defensores de uma lei menos rígida ganharam um apoio de peso recentemente. É que o professor do Imperial College London e presidente do comitê assessor do governo sobre abuso de drogas, David Nutt, refere que o álcool e o tabaco causam maiores danos à saúde do que algumas drogas ilegais como a maconha, LSD e extasy.
Em seus estudos, o professor acusou os políticos de “distorcer” e “desvalorizar” os resultados dos estudos científicos no atual debate sobre drogas ilícitas.
Nutt criticou também que alguns boletins tenham publicado relatórios exagerados sobre os supostos danos de algumas dessas drogas.
Segundo o especialista, o álcool deve figurar como a quinta droga mais perigosa depois da heroína, cocaína, barbitúricos e a metadona, enquanto o tabaco aparece em nono lugar.
“A cannabis, LSD e extasy, mesmo sendo nocivas, estão mais abaixo na lista, em 11º, 14º e 18º, respectivamente”, defende Nutt em documento do Centro de Estudos sobre Crime e Justiça do King’s College.
Ou seja, o fato é que todas as drogas causam males, em maior e menor grau. Donde o raciocínio é atentar para a hipocrisia que permeia as drogas ilegais e, ao mesmo tempo, se farta de dinheiro com a indústria do álcool e do tabaco. Moral da história – é talvez nesse ponto que se apegam alguns políticos – ou libera geral ou proíbe-se tudo.
Tema complicado. Mas eu já tenho opinião formada: não troco meu chimarrão por qualquer dessas substâncias.
Anderson Passos
Add comment 29/10/2009
O maior show da terra
O vídeo diz tudo. O melhor show da melhor banda de rock.
Que venha 2010!
Anderson Passos
Add comment 27/10/2009
Saramago
Não leio o autor português José Saramago desde minha frustrada tentativa – isso há muitos anos – de me refugiar no livro O Evangelho Segundo Jesus Cristo. Achei os parágrafos uma eternidade e tendo ao alcance das mãos autores com quem eu tinha mais afinidade, saltei para outra obra e outra e mais outra. E deixei o bom portuga de lado.
Agora o nobel português lança Caim e, ao que li na imprensa, lá está publicado algo de que compartilho com José Saramago.
Uma delas é de que a “bíblia é um manual de maus costumes”. Leio e releio a frase com um entusiasmo e um deleite especiais. Era tudo o que eu queria dizer. Na verdade, tenho dito isso há anos e já fui chamado de herege, tirano, o diabo a quatro. E em pessoa.
Se isso me tira o sono? Não mesmo. Minha insônia se dá por outras razões. Quem vive de aluguel e labuta diariamente como eu não numa cidade como São Paulo não tem muitas razões para dormir – fora a insônia ainda tem o barulho. Alguém dirá: leia a bíblia e acharás consolo, irmão. Educadamente respondo. No thanks.
Dos ditames católicos, me atenho a tão somente tentar fazer o bem. Não o bem oportunista de véspera de Natal, que sensibiliza milhões de pecadores todo final de ano. Fazer o bem é estar presente full time e retribuir a quem tanto me ajuda. E isso eu não aprendi nas minhas leituras escolares bíblicas. Isso vem da formação do sujeito, do seu caráter, apenas. Não é preciso ter fé. Só o caráter é meio caminho andado.
Finalizando essa reflexão modestíssima, ante às frases de José Saramago em Caim, sinto os sinos badalarem com um novo convite a lê-lo novamente.
Anderson Passos
1 comment 27/10/2009
Ficção e realidade
Ou COI (Comitê Olímpico Internacional)e a Fifa (Federação Internacional de Futebol) são de uma absoluta ingenuidade ou eu não sei mais nada.
Como não tenho vaga lembrança da proposta brasileira para sediar a Copa do Mundo, passemos à Olimpíada de 2016, que terá o Rio de Janeiro será a sede.
O filme produzido pelo competente Fernando Meirelles, sob encomenda do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), mostra a cidade maravilhosa como poucos o fizeram. Eu, simpaticíssimo aos fluminenses e à cidade, fiquei emocionado em assistir às cenas.
O problema é que o filme, se não é um “ensaio sobre a cegueira”, omite algumas questões e, portanto, ganha ares de peça ficcional.
Basta ver que se assiste às cenas e a pergunta que se faz é esta: onde estão as favelas? Onde estão os multiplicados bolsões de pobreza? E o que dizer da violência que escorre dali para o asfalto? Violência bancada por muitos bacanas, diga-se de passagem.
Pois bem, essa parte do roteiro inexiste. Ao menos no filme que, como se admite por aí, foi feito com o objetivo único de emocionar. E conseguiu.
Felizmente, os jornais, o rádio e a televisão, cada qual a seu modo, mostram o que o filme do Meirelles nos sonega. E ouso nova pergunta: por que trazer olimpíada e Copa do Mundo para o Brasil?
Há pontos favoráveis, claro. O país ganha em visibilidade, em investimentos, em infra estrutura, mas a que preço?
Nova e capital pergunta: quem pode garantir a segurança desses eventos num país onde, diretamente dos presídios de segurança máxima (?), os traficantes comandam as ações em seus “mercados”?
Se fôssemos um país sério, nossos representantes procurariam as duas entidades máximas do esporte mundial e, de cabeça baixa, diriam “passem adiante, não podemos, o nosso vídeo é emocionante e só”. Mas não. Caímos num ufanismo difícil de desbaratar, talvez só comparável à triste era militar dos anos 60. Tudo pela sanha de ganhar dinheiro – vide o Pan de 2007. Sim, caímos numa cegueira deslumbrante.
Ali vem a Copa do Mundo. Em seguida as Olimpíadas. E Osama Bin Laden, com certeza, deve estar de olho para participar do violento e cruel videogame da vida real, onde helicópteros são abatidos e corpos de seres humanos desfilam como frangos congelados em carrinhos de supermercado.
Anderson Passos
Add comment 26/10/2009
X e Y (Final)
O senhor Y era, talvez, o mais fiel amigo da Camila. Dos que conheci, pelo menos, posso afirmar isso.
Era um negro alto e saudável que, o início, me despertou um sentimento ruim porque fazia um barulho tremendo logo à sua chegada e, depois que já estava calibrado, sua voz tomava o prédio inteiro. Dormir com o sujeito berrando na sala era impossível.
Mas você vai convivendo com as pessoas, passa a conhecê-las melhor e passa a respeitá-las quais sejam suas opções. Tenho aprendido isso, sobretudo em São Paulo.
Um dia o Senhor Y me confidenciou um pouco da sua história. Era noivo de uma mulher, mas conheceu um sujeito – um gaúcho de Cruz Alta – igualmente noivo, nas mesmas condições dele. Resumindo a história, o fato é que as noivas ficaram para trás e eles passaram a viver juntos. Fiquei atônito.
Com o passar do tempo, à chegada do sujeito aqui em casa, eu me juntava à Camila e ele na sala e ouvia suas histórias de escândalo.
Até que, em novembro de 2008, Camila me apareceu com uma namorada – a criatura mais ciumenta da galáxia – e, claro, o senhor Y e ela jamais se bicaram.
Veio dezembro e com ele uma briga entre nossa ex-colega de quarto Paloma e o senhor Y. Foi tão feio que eles jamais se falariam de novo. A seguir, pouco antes do Natal, recebemos um telefonema aqui em casa com a notícia súbita de que o senhor Y estava hospitalizado em estado gravíssimo, à beira da morte.
Assustei-me. Antes de ir para o trabalho Paloma e Camila foram vê-lo. Camila não teve coragem de subir. Paloma leu o prontuário e flagrou a maior das surpresas. Também o senhor Y tinha o vírus HIV.
Como tinha pele negra e, mesmo em dias de calor andava coberto por mangas compridas e golas altas, eu jamais podia adivinhar.
Na virada de 2008 para 2009, viajei para o Guarujá, mas pedi à Camila que me avisasse caso algo ocorresse. Ao retornar de viagem, fui recebido pela casa vazia e em absoluto silêncio. Acabei adormecendo sem nada saber. Até que no dia seguinte, entre lágrimas, as meninas me contaram que o senhor Y havia morrido.
Anderson Passos
Add comment 22/10/2009
