Foi Júlia por 24 horas
Não tenho parentesco com Júlia. Só soube dela ontem (17/12) pois, enquanto almoçava num restaurante, atentei-me ao telejornal.
Só sei de Júlia que era uma menina, que morava em Osasco, região do ABC paulista. A cidade foi atingida por uma chuva torrencial.
Não sei a idade de Júlia. Só sei se tratar-se de uma criança. Uma menina que se abrigou em casa para se proteger da chuva. Só sei que a natureza levou embora Júlia, casa, tudo. A mãe, num leve sopro de sorte (sorte?) sobreviveu.
Júlia não tinha registro algum. Os pais jamais tiveram dinheiro para custear este item. Ontem, os pais lavraram a certidão de nascimento e de óbito da filha caçula. Lá se foi Júlia, lá foi noticiário. Júlia virou estatística. Foi Júlia por 24 horas.
Tentando apagar a desgraça, aviso aos navegantes que estou embarcando neste sábado (19/12) para o sul visando uma semana de descanso. Isto posto, as postagens deverão ter umas pausa. Volto ainda antes do final do ano aqui. Ou não
Anderson Passos
Add comment 18/12/2009
Ironia paulistana
As chuvas torrenciais que castigam, principalmente na primavera e no verão, a cidade de São Paulo provocam cenas dantescas que, imagino, rodam o Brasil.
Ônibus presos em alagamentos, gente ilhada a espera de socorro, ratos e cobras mergulhando na água podre, entre outras barbaridades.
A maior delas, no entanto, mora no curioso Jardim Pantanal o qual, desde a torrencial chuva do dia 8 de dezembro, ainda não viu as águas da enchente baixarem.
E vejam: hoje (quinta, 17/12), o mais trágico é que o céu cinzento já manda o recado de que mais dilúvio está por vir. E me pergunto, com tristeza catatônica, o que será do Jardim Pantanal desta ilha de concreto quando o mundo tornar a desabar por lá.
Anderson Passos
Add comment 17/12/2009
Tonzinho
Dada a correria do cotidiano, passou o oito de dezembro e, lamentavelmente, não registrei a minha saudade do Tom Jobim.
Felizmente, ainda que estejamos num país sem memória – sentimento que atropela desavisados e ocupados como eu – o fundamental Globonews não deixou por menos e caprichou num especial ao maestro soberano.
Daí que, com imensa alegria, jogo aqui o link para o especial sobre o Tom veiculado no referido canal.
Para quem ainda não sabe o que perdeu, ainda dá tempo de conhecer melhor o Tonzinho e suas histórias brilhantes.
Anderson Passos
Add comment 16/12/2009
Macaca de auditório
Admito que devo estar parecendo uma macaca de auditório de tantas menções que faço ao Geneton Moraes Neto. Tudo bem, não me importo. Quem entende minimamente de jornalismo há de convir que se trata de um dos grandes repórteres do nosso tempo.
Numa conversa com o hoje senador Fernando Collor (PTB/AL), o repórter, com perspicácia e tato, fala da jornada presidencial no período 1989-1992, que culminou no impeachment do político.
Digo perspicácia porque Geneton tratou de temas que até então deixavam o ex-presidente absolutamente crispado e, não raro, violento: confisco da caderneta de poupança, os milhões acumulados durante a campanha à presidência e os escândalos que o tiraram do poder. Por conta dessa obsessão dos repórteres, Collor desenvolveu uma aversão cáustica à imprensa, a quem atribui sua queda. Mas Geneton dobrou o homem. Ou, ao menos, teve o tato de manter a fera sob controle. Acompanhem.
Anderson Passos
Add comment 14/12/2009
Luzes
Mesmo depois do maior apagão que deixou 18 estados às escuras, e o admitido risco dele dar as caras outra vez, o que se vê em São Paulo e pelo mudo afora são o pipocar inclemente de árvores e decorações natalinas ultra iluminadas.
Donde a pergunta é simples: por que gastar energia com isso? Se o risco de ficarmos às escuras de fato é tão preemente, pra quê iluminar as cidades desse jeito? Per me, no mínimo, trata-se de um tremendo escárnio, para usar um termo, a meu ver, jocoso.
Bem, sendo o Natal a época de maior cinismo ano após ano, até que o carnaval de luzes natalinas faz sentido. Mas não me incluam nessa. Apaguem a luz que eu quero dormir.
Anderson Passos
Add comment 11/12/2009
A casa [quase] caiu
Nos últimos dias não tenho feito outra coisa senão mobilizar-me para a minha cirurgia ocular. Depois de uma facada num laboratório particular na manhã de ontem (9/12) para cumprir os prazos dados pela cirurgiã, o meu convênio aprontou mais uma.
Depois de eu gastar os tubos e lutar desesperadamente para que um cardiologista conferisse o resultado de um eletrocardiograma até amanhã (11/12), eis que recebi uma ligação da clínica oftalmológica onde tudo começara.
- Seu plano não cobre a cirurgia.
Eu já fora alertado dessa possibilidade quando consultei e não tive tempo de me desesperar. Minha primeira reação foi pensar apenas que a Lei de Murphy, implacável, vencera outra vez. Donde eu comecei a me perguntar se tudo teria valido a pena.
Antes que eu me perdesse em lamentos, a seguir, ao fone ainda, ponderei quanto o procedimento me custaria em dinheiro e a coisa foi ainda mais desanimadora.
- Só para deitar na maca, uns R$ 1,8 mil.
Emudeci por uns bons segundos, quando a voz do outro lado da linha acenou com uma luz.
- O problema não é com o procedimento. O hospital indicado para a cirurgia é caríssimo. E a oftalmologista que vai operar não abre mão de que seja feito lá.
A seguir, a luz foi ficando mais clara, digamos assim. Foi quando a moça me explicou que outra profissional poderia fazer o procedimento num hospital mais modesto.
O resultado é que tudo ficou para janeiro de 2010. Se o meu plano de saúde não aprontar mais nenhuma arapuca.
Anderson Passos
Add comment 10/12/2009
Tirando sangue à facada
Lá no meu trabalho me deram o conforto de ter, pela primeira ou não mais do que segunda vez na vida, um plano de saúde.
Daí que, valendo-me dele, vou encarar uma cirurgia ocular, como já explicado neste blog. No entanto, parece que o tiro começa a sair pela culatra.
Ocorre que, hoje pela manhã (9/12), para fazer os exames de sangue e um eletrocardiograma, apresentei a carteira do convênio despreocupadamente. Alguns minutos se passaram e ouvi da atendente que eu não poderia ser atendido.
- Infelizmente, não atendemos por essa modalidade de convênio.
E comprovei amargamente que o meu convênio não era lá essas coisas. Dado que precisava dos exames para ontem – minha cirurgia ocorrerá dia 14/12 – estufei o peito e perguntei o preço. Nunca tal atrevimento feriu tanto.
- R$ 378.
Devo ter empalidecido ao ouvir aquilo, mas não me restou outra saída. E, de posse de um vital cartão de crédito, marchei bonito na quantia devastadora.
Em minutos, me arrancaram o sangue – quatro tubos mais um incompreensível furo na orelha – e fiz o eletrocardiograma para lá de nervoso.
Agora estou mergulhado em outra busca: achar um cardiologista que me atenda na próxima sexta-feira pela manhã. Liguei em trocentos. E, até agora, nenhum interessado. Pelo jeito vou marchar com mais essa despesa graúda.
Anderson Passos
1 comment 09/12/2009
Mais incisões
De repente, a vista direita passou a me oferecer uma visão turva – principalmente à noite – e, não obstante, produzia involuntariamente lágrimas de esguicho, diria o cronista mór.
Donde pensei comigo, em velho gauchês:
- Preteou o olho da gateada. Literalmente…
E assim fiz alguns exames e no dia 14 de dezembro, se a Amil não vetar, vamos nós para uma cirurgia para corrigir ou minimizar o problema.
Isso, por certo, causará uma pausa nos escritos deste blog, mas voltaremos, fiquem certos. Ou, como tatuado no braço da minha menina, “ou não”.
Anderson Passos
Add comment 08/12/2009
Pequena reflexão do futebol em 2009
Vivas ao Fluminense! Mas lembremos que não pode continuar assim. Segurem o Fred e paguem todo o time em dia. Ou peçam o boné.
Bala de borracha é pouco para os marginais que invadiram o gramado e depredaram o Couto Pereira, do rebaixado e centenário Coritiba.
Fla não fez mais do que obrigação. Ainda bem que o gremista Maylson fez exatamente o que a torcida desejava quando. Depois de um rebote do goleiro, ficou só com o gol vazio e deu um belo escorregão. Fosse diferente, pobre menino.
Que o Internacional continue na fila. Que o São Paulo não mais a abandone. Até 2010.
Anderson Passos
Add comment 07/12/2009
