Era um sábado pela manhã e chovia alguma coisica em São Paulo. Mesmo assim acordei cedo e resolvi levar a roupa para a lavanderia. Como era cedo demais – em torno de 8h30min – dei com a cara na porta e voltei para casa.
Então pensei comigo:
- Bem, então tomemos um café da manhã…
Segui para a padaria, próximo 200 metros aqui de casa. Passando pelo toldo externo foi recepcionado por um grupo de jovens bêbados. O surpreendente é que um deles fez a seguinte pergunta ao grupo:
- Como é que São Mateus ensina no versículo?
Em seguida, começou a cantarolar junto com o grupo, numa tentativa gospel tupiniquim…
- Jesus lá lá lá.
Resumindo: um horror. Tanto que me correu um frio na espinha e uma vontade acima da média de pedir silêncio, mas resolvi escolher meus pães.
O som lá dentro era ainda mais alto e reclamei para a atendente.
- Esse barulho está importunando demais. Quer que eu chame a polícia?:
A outra arregalou os olhos e me desanimou dizendo que o grupo beberrão e esparrento ao menos era uma novidade naquela manhã cinza.
Peguei meus pães e fui ao caixa e comentei.
- Animada manhã não?
- Pois é…
- Posso chamar a polícia ou eu mesmo expulsá-los daqui a pancadas?
- Eu agradeceria, mas não posso autorizar violência aqui dentro – ponderou a moça do caixa.
Saí da padaria, não sem antes olhar para o grupo – que também tinha meninas – e lhes fiz um sinal com as mãos indicando os chifrinhos do cramunhão.
Como o grupo tinha um inocente copo d’água por perto na mesa, começaram a jogar água uns nos outros de modo a se proteger da minha maldição. Patético…
Anderson Passos