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Há exatamente 14 anos, eu vim pela primeira vez a São Paulo. Algo nada programado, inicialmente. Quer dizer, foi de última hora mesmo.

Ocorre que eu morava em Porto Alegre e pipocavam na MTV Brasil chamadas até enjoativas da turnê Pop Mart, que o U2 apresentaria em Rio de Janeiro e São Paulo.

Àquela altura, a banda já havia passado pelo Rio e, numa quinta-feira, apanhei meu cartão de crédito, saquei dinheiro e corri a uma agência de viagens. Sim, havia lugar… num ônibus. Naquela época não se tinha as facilidades de viajar de avião como hoje.

Embarcamos na sexta à tardinha. Passadas 15 horas de viagem, corri à frente do ônibus e perguntei ao guia quanto tempo mais viajaríamos.

- Mais cinco horas…

Eu não aguentava mais ficar naquele buzão pela mais pura ansiedade em ver o show e pelo receio de ficar na estrada tanto tempo sem nenhum contratempo aparecer.

Então começamos a ingressar num trecho de serra, com precipícios que vistos do andar superior do buzão eram de arrepiar. Avançamos mais algumas horas e finalmente chegamos à Pauliceia. Não sei dizer que ruas percorremos ou onde estacionamos finalmente, senão que foi numa praça do bairro do Morumbi.

Alguns gremistas tacaram a bandeira do clube no para-brisa, mas foram desencorajados pelos motorista que temia que pedras fossem arremessadas no carro.

Chegamos em torno de 14h. Me informei em que direção ficava o Estádio do Morumbi com o guia e corri pra lá. Em torno de 15h – por contas das longas filas, ingressei no “Templo Bambi”.

No entanto, cometi a besteira de comprar lembranças – na verdade bottoms da turnê – e, ao retornar para o meu lugar no gramado, bem em frente ao palco no flanco direito do público, já não havia como seguir. Fiquei à esquerda do palco bem distante sem nada enxergar, dada a minha baixa estatura. O telão gigante me salvaria pois que as imagens da banda ali foram projetadas em cores berrantes à la Andy Warhol.

Depois de horas torrando no sol, a noite veio abafada e Gabriel O Pensador entrou em campo. Tive asco. Logo ele se foi. Então todas as luzes se apagaram e o super telão se acendeu. A sensação de estar diante de um feito tão espetacular, do ponto de vista da tecnologia, é indescritível. Veja abaixo:

[http://www.youtube.com/watch?v=aWcs9iLV6dg]

O show acabou e, confesso, fiquei aliviado pois que sem almoço e extenuado por horas e horas em pé. Nunca mais farei uma tigrada desse porte. Mas essa, reconheço, valeu muito à pena.

Se eu imaginava que 14 anos depois eu estaria morando e trabalhando na cidade – sem ter assistido à passagem da tour 360º do U2 – é claro que não. E que fique ainda mais claro: faria tudo novamente.

Anderson Passos