Ficção (1)

Quem está seguro? – Parte VIII

A caminho do aeroporto, Balestre iniciou a ofensiva.

— Eu tenho duas perguntas, mas você responde se quiser. Não se sinta pressionada. Promete?

A outra olhava para o nada, pela janela do passageiro e fingiu não ouvir.

— Ei — insistiu Balestre.

— Ah, desculpe. A cabeça está meio longe.

— O que vamos fazer no aeroporto? — tentou amenizar ele.

— Eu vou ao aeroporto. Você fica no carro.

— Entendi.

Balestre ligou o rádio para buscar em si uma solução porque, de repente, Dolores se fechara. E ele precisava atalhar e chegar no coração da jovem.

— Demora muito pra chegar no aeroporto?

— Olha, estou dando o máximo aqui, mas com esses radares, fiscais de trânsito, não se pode descuidar. Mas vamos chegar em tempo. Garanto. — tranquilizou Balestre.

— Desculpe pela cena no escritório.

— Quer falar sobre isso?

— Ainda estou muito chateada.

— Mas, de repente, conversar sobre isso pode te deixar mais calma. Estou te achando muito nervosa. — disparou Balestre.

Mas Dolores foi objetiva.

— É prudente não avançar nisso.

— Ok. Vou sintonizar uma rádio que nos diga como anda o tráfego.

— Ótimo. — respondeu Dolores enquanto uma lágrima espessa lhe escapou dos olhos.

Balestre viu a cena e percebeu o esforço de Dolores em disfarçar. Demonstrando elegância, estendeu o braço direito no porta luvas, onde pretendia apanhar um lenço. Mas, poucos metros adiante, um caminhão freou bruscamente, ameaçando aquele gesto cortês definitivamente.

Anderson Passos

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