Festa estranha (com gente muy esquisita)

No meu segundo mês em São Paulo, as coisas começaram a evoluir profissionalmente de forma inesperada. Embora eu, esporadicamente, comparecesse na sede do site jurídico para o qual fazia algumas frentes ainda em Porto Alegre, a fim de fazer presença e mostrar que “queria jogo” ou trabalho, quem primeiro me acenou com uma possibilidade nessa linha foi exatamente o concorrente, o Consultor Jurídico.

Minha estada no Conjur tinha dias contados. Apenas 30, mas topei. Fui chamado para atuar na redação como repórter, enquanto os efetivos se dedicavam a mais um dos tantos anuários jurídicos que eles produzem. E tudo veio a calhar porque a redação do Conjur fica ao alcance apenas de algumas passadas aqui mesmo na Vila Madalena.

No entanto, o site que inicialmente ficou me engambelando, também me premiou com uma proposta de lavoro exigente. Produzir um clipping jurídico (um arrazoado eletrônico de noticiário de todos os grandes jornais brasileiro e alguns nanicos) entre 4h e 8h, de segunda a sexta-feira, além de tarefas outras que me tomariam ainda parte do domingo. E claro que eu topei, comunicando apenas o Conjur de minha decisão, no que não fui repelido, dado que exercia funções diferentes nas duas casas.

Feito o preâmbulo, faço foco num domingo de muito trabalho em especial. Passava das 10h da manhã quando levantei e, circulando pela casa, flagrei a porta do quarto de Camila Gaya, que é vizinho ao meu, aberta. Na cama, quatro pessoas que nem fiz força para identificar. O que eu soube desde o início é que nenhuma delas era a Camila.

Cocei a cabeça e avancei pelo corredor rumo à sala. Havia mais cinco pessoas. Todas mulheres. Quer dizer, a maioria claramente lésbicas, vestidas como “machinhos”, atiradas no sofá. E nada da Camila.

De repente, Paloma, a outra menina que, a essa altura já morava conosco, entrou em casa, com talvez, a mais apresentável delas. Ambas bêbadas. E eu tentado a dar um bote na menina que minha vizinha de quarto trouxera consigo. Mas o fato é que, em minutos, todos adormeceram. E, se a casa estava já uma bagunça, nada me prepararia para o que viria à tarde.

De repente todos(as) começaram a acordar e o primeiro sintoma que senti, além das vozes, foi o cheiro de “asa”, de suvaco molhado, exalado por uma moça, cuja semelhança com o personagem do Professor Pardal era inequívoca. Nisso já eram quase 16h e eu tinha que trabalhar no computador, que ficava na sala.

Simultaneamente, o DVD, que ficava no mesmo espaço, passou a rodar um CD com essas trilhas “másculas”, cantadas a plenos pulmões por Cássia Eller, Ana Carolina e seus genéricos, donde a vontade de gorfar me ameaçava. A seguir, e nisso eu já lavorava no computador, a trilha que passou a embalar aquela tarde foi forró universitário, cantado não sei por quem. E todas dançavam às minhas costas e eu não tinha uma arma. Precisava focar no trabalho.

De repente, um amigo mais chegado de Camila entrou porta adentro e vendo aquele monte de gente estranha, correu ao quarto dela. Demorou-se pouco na casa e saiu correndo. Soube que depois ele procurou Camila, que então dormia na casa do ex-namorado e lhe dera um boletim do meu mergulho de cabeça no caos.

Sentindo o perigo, passava das 18h quando a turba lésbica foi embora, com Paloma a liderar o pelotão. Tudo o que sei é que Camila não reagiu bem à invasão do quarto dela, já que quatro blusas, bem caras, desapareceram. Talvez sob o suvaco emblemático do professor Pardal.

Anderson Passos

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