Ficção (1)

Quem está seguro? – Parte XIV

O choque do carro foi violento. Balestre ainda conseguiu proteger a caroneira, mas os estilhaços do parabrisa e parte da carenagem do carro deixou os dois presos nas ferragens e gravemente feridos.

O socorro levou em torno de 20 minutos para chegar, por conta do bloqueio da via. Bombeiros foram acionados para serrar os destroços do carro. Balestre estava inconsciente e praticamente abraçado à Dolores, que estava desmaiada e ficou presa pelas pernas. Ele tivera o braço esquerdo estilhaçado enquanto o direito também sofrera inúmeras fraturas. A cabeça estava cravejada de estilhaços. A coluna provavelmente sofreria danos irreparáveis, já que ele foi pego de lado e não usava o cinto de segurança.

Passada aproximadamente meia hora do ocorrido, os bombeiros finalmente conseguiram chegar até Balestre e, com cuidado redobrado o tiraram dali. Não demorou muito e Dolores foi removida.

No aeroporto, Dr. Tenório aguardava a sobrinha com os documentos, sem saber de nada. Em casa, Queiroz zapeava os canais quando deteve-se no noticiário de trânsito e reconheceu o carro de Balestre e esfregou os olhos repetidas vezes tentando acreditar no que via.

Até que acendeu um cigarro e correu ao telefone. Precisava saber o que se passava.

Enquanto isso, o marido de Dolores, o despachante Eduardo, que vinha em sentido exatamente contrário ao local do acidente, se desesperava com o fato de que quem estava à sua frente, e na pista contrária, andava lentamente, como a velar as vítimas do acidente que sucedera.

— Bando de urubus. — reagiu em voz alta ao volante.

Levaria ainda mais meia hora para o marido de Dolores cruzar pelo local do acidente. Por sobre a mureta que separava as pistas, conferiu o estrago, mas não imaginou o drama que se reservava para ele.

Quando chegou ao centro da cidade, onde pretendia correr com a documentação de alguns clientes numa repartição de trânsito, encontrou um amigo taxista, para quem se queixou.

— Rapaz, peguei um congestionamento monstro na vinda para cá.

Até que foi interrompido pelo toque do celular. O telefonema partira do hospital onde Dolores estava. Ouviu a notícia, o relato da gravidade do quadro e não conseguiu dizer nada. Empalideceu apenas e caiu desmaiado ao lado do amigo, que o amparou.

Antes de sair de casa e tentar localizar Balestre, o telefone bateu na casa de Queiroz. Alguém lhe passava o que sucedera na rodovia.

— Saiu tudo muito perfeito. Nosso amigo virou sardinha.

Anderson Passos

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