Noite dos Demônios

Aos poucos vou me refazendo de meus pecados mortais cometidos em São Paulo. Um dos mais graves era o de estar na cidade sem jamais ter visitado uma de suas principais atrações turísticas e culturais: o Bar Brahma.

Daí que, aproveitando a deixa de que o meu irmão Douglas Lunardi estaria na cidade, para um congresso de comunicação, nós articulamos e escolhemos a noite da última quinta-feira (28/5) para unir o útil ao agradável. Conferir de perto o show dos Demônios da Garoa no já referido bar.

Para quem não dimensiona, e realmente espero que sejam poucos os leitores desatentos deste humilde blog, os Demônios representam a árvore genealógica do samba paulistano, com mais de 60 anos de carreira.

Alguém um dia escreveu que São Paulo é o túmulo do samba. Parece que a provocação partiu de Vinícius de Moraes, inclusive. No entanto, recuso a proposição do poetinha argumentando que no cerne do samba paulista está alguém da estatura de Adoniran Barbosa, que deu aos Demônios e ao Brasil clássicos como Samba do Arnesto, Saudosa Maloca, Trem das Onze entre outros. Todos, evidente, brilhantemente executados no show.

Além dos clássicos próprios, desfilaram pelos acordes sambados dos Demônios da Garoa adaptações de músicas sertanejas (se não me engano, uma delas chamava-se Evidências, dos Chitão) e marchinhas de carnaval. Aliás, por conta das marchinhas é que testemunhamos um sujeito igual ao Ray Charles, deslizando no salão feito um passista. Com direito a chapéu côco.

Mas a noite não foi só de Ray Charles. Além deste rico personagem, flagramos um clone bonachão do Carlos Sperotto, italianíssimo, encharcado de álcool e gritando muito; um bigodudo com trajes sindicalistas e que dividia a mesa com o Sperotto clone; e uma imitação desengonçada do Eduardo Suplicy sambando. E esperemos que o Lunardi e sua colega Ana, que me acompanharam e registraram as cenas, enviemas imagens para ilustrar o post mais tarde.

Outro ponto alto do show, em particular – o leitor tem o direito de me chamar de brega ou o que seja – foi quando os Demônios da Garoa tocaram o clássico My Way, num arranjo choro, que naturalmente me levou às lágrimas de esguicho, testemunhadas pelo meu fraterno irmão Lunardi.

No entanto, o que mais me entusiasmou foi um anúncio feito pouco antes da apresentação da última quinta-feira. Ocorre que foi confirmado para a noite de 18 de junho, também quinta, a apresentação de dois gigantes, que de muito eu sonhava ver reunidos no mesmo palco: Benito Di Paula e os Demônios da Garoa. Esse eu só perco de for assassinado.

Anderson Passos

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