Parada Guy

São Paulo é uma cidade muito abrangente em termos de eventos para todos os tipos de público, sejam eles esportistas, executivos, descolados, moderninhos, patricinhas, literatos e afins.

Quem gosta de literatura pode visitar as nababescas livrarias da cidade, que não estão presentes apenas nos shoppings, como em privilegiados espaços da avenida Paulista e do centro da cidade. Os moderninhos e patricinhas podem passear na Daslu e gastar R$ 4 mil numa blusinha qualquer ou ainda visitar a São Paulo Fashion Week. Por outra, a noite também é rica em opções de bares e boates.

Já os amantes da velocidade podem ir a Interlagos, desembolsando R$ 3 mil em ingressos e assistir à Fórmula 1 ao vivo. Eis um exemplo de atração que lota os hotéis da cidade. Outro evento, este gratuito, e que tornou-se uma marca da terra de Kassab, é a Parada Guy. Todo ano, pelo menos 3,5 milhões de pessoas desembarcam na cidade para participar ou assistir este excêntrico evento.

Mãe, acho que estou me "vazando"

Mãe, acho que estou me "vazando"

Logo que aqui cheguei, em 2008, fui apresentado aos amigos de Camila, a maciça maioria longe do convencional. Posso assegurar que apenas o cunhado dela e outros dois amigos de Ribeirão Preto que nos visitaram, eram heterossexuais. Os demais são ou eram gays ou lésbicas. Sem meio termo.

Pois bem. O fato é que minha convivência com esse pessoal começou acidentada, meio aos trancos e barrancos. Mas acabei por conviver respeitosamente com eles e deixei de lado meus preconceitos. O que não significa dizer que eu tinha uma vida social com eles. Ela se dava, como ocorre até hoje, apenas aqui no apartamento. Na rua, tomamos rumos diferentes. No máximo, dividimos mesas de restaurante na hora do almoço.

Zé Ramalho e Camila: o "gauchão" largou a noiva e foi ganhar "o mundo"

Zé Ramalho e Camila: o "gauchão" largou a noiva e foi ganhar "o mundo"

Dentre esses amigos, deparei-me com um gaúcho de Cruz Alta (terra do Erico Veríssimo, é sempre bom lembrar), cujo apelido é Zé Ramalho, que relatou ter se mudado para a Paulicéia, fugido de uma noiva no altar. Tudo isso para mudar radicalmente de vida e soltar a franga que se debatia em seu galinheiro. Aqui ele conheceu um amigo em comum da Camila e que, também como Zé Ramalho, foi noivo e não gostou da fruta.

E daí que, apresentado a este time de astros e estrelas, o convite para eu acompanhá-los à famosa Parada Guy não faltou. Quase virou imposição. A pressão começou já na semana anterior com frases como “você vai conosco na Parada, hein Anderson”, “Anderson, você vai amar a Parada Gay”. Só faltou sair um “volta para o reduto, mona”.

Tem coisas que só a Parada Guy faz pra você

Tem coisas que só a Parada Guy faz pra você

E, se o evento caiu num domingo, já na sexta à noite, os “mordedores de fronha” e as “queimadoras de Bombril” cá estavam em polvorosa. Bebendo, gritando, ouvindo Madonna, Cássia Eller, Ana Carolina e esses ícones todos.

Donde, minha saída foi refugiar-me no meu quarto e, quando os via por aqui, refutar a ideia de conhecer o evento ao vivo e verificar de perto as espécies humanas lá presente.

Camila, à época, sem namorada – e talvez inclinada a experimentos com o mesmo sexo, como se veria a seguir – acompanhou a turba e fez os registros fotográficos aqui contidos.

Este ano, eu, Camila e sua namorada ficamos em casa assistindo o futebol. Mas nossa enviada especial, Palomix, já trouxe novidades quentes de sua passagem pela Parada Guy. A melhor delas é que a máquina digital que abrigava essas fotos foi parar nas mãos de um lalau.

Anderson Passos

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