Os sem diploma

Nesta quarta-feira, 17/06, li o nickname de um ex-colega de redação no MSN, onde dizia que “em uma tarde, seus quatro anos de estudo de Jornalismo seriam colocados na lata do lixo”. O que diria ele se, como este escriba, ele dedicasse não somente quatro, mas dez anos em busca dessa formação?

Ele se referia à tendência, confirmada a seguir pelo plenário do Supremo Tribunal Federal que, por oito votos a um, entendeu ser desnecessária a exigência de um diploma para o exercício da referida profissão.

Evidente que universidades e faculdades de comunicação vão estrilar os dentes, afinal, como fica o ganha pão deles? Bem, os criativos certamente vão dar um jeito. A universidade em que estudei, por exemplo, já deu uma bela resposta. Já a algum tempo, a instituição, que completa 40 anos em 2009, “inventou” um curso superior de rock ‘n roll. Quer dizer, o brasileiro é mesmo um sujeito cuja criatividade não se pode medir. E reitores e suas ideias fantásticas então, nem se fala.

Mas estou tergiversando. Já já encerro. O que preciso referir aqui é que nas aulas de Jornalismo todos somos convidados a aderir a ideia de que o diploma é importante, de que ele dá salvaguardas profissionais, um monte de coisa. E eu mesmo comprei este conceito por algum tempo. E paguei caro.

Mas quando um sujeito, que teve uma trajetória universitária marcada por pequenos furtos em sala de aula torna-se orador da turma e é diplomado em Jornalismo, isso me faz duvidar do caráter. Com isso, digo o seguinte: diploma é uma coisa, caráter é mais embaixo. Diploma nenhum deve estar acima do fundamental: o caráter.

Donde, o jornalista diplomado, que tenha estudado quatro, dez anos – ou mesmo aquele que não possui diploma – mas que tenha consigo caráter, pode remar, pode passar trabalho, pode comer o pão que o diabo amassou, mas ele será lembrado e um dia poderá ser acolhido pelo mercado.

Enfim, o que eu queria dizer é que abundam diplomas, para N especialidades, mas falta, em alguns casos, caráter. Assim, penso que não é tempo para fazer atos, desagravos e tal contra o STF e sua decisão. É tempo sim de olharmos para nossos umbigos e para os alheios e apurar qual deles é mais limpo.

Anderson Passos

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