Não tem cabeção (1)

Aos mais chegados, já contei a história. Mas ela merece ser ampliada. Ocorre que, para ir a um cinema de shopping em São Paulo, num final de semana, em voo solo, se gasta, no mínimo, escorchantes R$ 30,00. Isso se o sujeito estiver a pé. Senão paga pelo estacionamento e, se pintar um lanchinho, o que é muitas vezes inevitável, o gasto salta para R$ 50,00.

Assim, com a voga da crise econômica, abandonei as idas ao cinema, com tristeza profunda. Mas, já disse o bordão lulista, eu sou brasileiro e não desisto nunca. E, impedido de ir ao cinema, adotei o DVD como alternativa. E, como quase todo o brasileiro na minha situação, optei pelo conforto e pela “democracia” de conferir os lançamentos da telona em cópias piratas de DVD.

Meu primeiro fornecedor das cópias foi o Cirilo, o ambulante com dente de ouro. O cidadão pode ser encontrado nas imediações da Avenida Paulista e é capaz de, com até duas semanas de antecedência, dispor aos seus clientes os filmes que vão entrar em cartaz no cinema.

Cirilo é bem famoso. Ganhou destaque na mídia quando entrevistado pelo jornal Folha de S.Paulo, onde declarou que entre seus clientes estaria o ator Paulo Betti. O artista, procurado para repercutir a informação, devolveu que, comprovada sua assiduidade, ia querer participação nos lucros. Morreu aí o assunto. Não a fama do Cirilo, evidente.

Mas, não demorou muito para o Cirilo me decepcionar. Ocorre que à época do lançamento do Gran Torino, filme do mais pungente diretor de cinema americano dos últimos tempos, Clint Eastwood — em outro post falo dele e justifico minha opinião — encomendei ao ambulante minha cópia. E esperei, esperei, esperei e nada.

Depois, consultado por uma amiga, fui até ele perguntar se ele me conseguiria filmes mais antigos, como Poltergeist e outros títulos clássicos e ainda mais antigos. Cirilo ficou de ver. Demorou a responder sobre o assunto e, quando respondeu, foi até grosseiro.

— Esse filme é do tempo da minha vovózinha. Só pego coisa nova, saída quentinha do estúdio.

Daí que, sem a resposta que eu queria, abandonei o meu fornecedor. Teria a fama lhe subido à cabeça? É possível. O fato é que achei um novo ambulante, bem mais perto de casa. E com boas ofertas e garantias de qualidade de seu produto que eu não imaginava.

Continua…

Anderson Passos

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