Casal cara de pau

Era o começo da noite desta terça-feira (14/7) quando eu cheguei em casa e deparei-me com o grotesco.

Antes, é importante contextualizar os fatos: ocorre que Paloma e Fulana estão devendo alguma grana para Camila, a menina que gentilmente nos hospedou. Para melhorar o quadro, o referido casal levou, sem autorização, a máquina digital para registrar seu exibicionismo lésbico na Parada Guy. Resultado: máquina fotográfica roubada e dívida subindo graúdo.

Volto ao grotesco da abertura do texto: cheguei em casa e encontrei Fulana, a namorada de Paloma, estirada no sofá, assistindo a um DVD.

Ocorre que, em represália às cagadas reiteradas do casal cara de pau, as coisas na sala foram tomando o rumo dos quartos. E o primeiro item a “desaparecer” foi o DVD que, bem ou mal, é propriedade da Camila.

Mas o que eu via na sala era outro aparelho. Daí que, ao me ver, Fulana abriu um sorriso largo e convocou.

— Vem assistir um DVD. Olha que lindo… Novinho.

De bate pronto, perguntei da máquina da Camila, do dinheiro que elas deviam, se estava tudo pago. Ouvi um vago “não sei” como resposta.

Antes que o sangue me subisse à cabeça e eu atirasse a moça pela janela, corri ao meu quarto e articulei nova ofensiva de guerra contra o casal. Escrevi e-mail para a Camila e comuniquei do abuso.

A seguir, quando finalmente Fulana saiu de casa, comecei a matutar o passo mais ousado do plano e de muito desenhado: levar a TV da sala para o meu quarto.

Nada ditatorial nisso. Camila já me oferecera a regalia desde que instalara em seu quarto uma TV de 42 polegadas. A deixa que eu precisava estava diante dos meus olhos.

De repente, entrou a namorada da Camila em casa. Falei dos meus planos e nos mobilizamos para a operação de guerra.

Enquanto a recém chegada tratava de fazer “alquimias” para duplicar os fios da TV a cabo, eu desconectei o DVD novinho em folha da TV, apanhei o rack e empurrei para o meu quarto.

Em duas horas, feito um empurra empurra de pertences daqui e dali, eu tinha tudo devidamente instalado no quarto.

Agora a nossa sala é um deserto composto de um sofá, que traz em um de seus flancos um burado cavado pela Tutu. Há ainda uma cadeira de escritório com o costado quebrado e um PC, este sem conexão à internet. Afinal, Paloma disse que ia pagar e, óbvio, não pagou.

Dado que a Vila Madalena é um reduto de artistas, não demorará muito para fazermos a nossa parte e, quem sabe, produzir uma “intervenção artística” por ali. Uma obra de arte com uma tese subliminar sobre a cara de pau penso que já existe.

Anderson Passos

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