O grande mercado da fé

De muito tenho adiado uma manifestação em torno do escândalo representado por algumas religiões pentecostais que, amparadas na ingenuidade de seus fiéis, permite a seus proprietários construir patrimônio e fortunas.

Evidente que me refiro em especial à Igreja Universal do Reino de Deus que, diariamente, promove uma lavagem cerebral sem precedentes na sua audiência das madrugadas sem alternativa alguma, que não a tão combalida palavra fé.

Comprove-se isso simplesmente conferindo a programação vampiresca da Record onde, com argumentos frívolos, os pastores prometem a redenção de todos os pecados do mundo mediante qualquer pagamento. Como ensina Edir Macedo num vídeo tristemente esclarecedor e “didático”, é preciso “pedir, pedir, pedir”.

Se fosse apenas isso, ok. O problema é que a Iurd, além de vender a felicidade, ataca seus opositores gratuitamente, incluindo nesse rol homens de opinião e até outras religiões. Ataca transformando-os em demônios, em criminosos, em descelerados. E, mesmo com tudo isso, o que se vê na paisagem, escandalosamente, é silêncio. Um silêncio encorajador a que um quadro terrível desses continue prosperando.

Prova disso foi a crucificação da repórter Elvira Lobato que, em dezembro de 2007, teve a coragem de escancarar as entranhas da Universal numa reportagem do jornal Folha de S.Paulo, mostrando a seus leitores o quão sujo era aquele império construído em apenas 30 anos. Imundo pois que conquistado à sanha da estupidez de pobres criaturas desesperadas. Tanto a jornalista quanto o veículo de comunicação foram sumariamente processados por fiéis “insatisfeitos”. Uma ação claramente orquestrada e com argumentos semelhantes em todos os confins do Brasil onde foram impetradas. Felizmente, até agora, a Justiça desconsiderou os argumentos da Iurd ou de seus fiéis, como os dirigentes da igreja tentaram nos fazer acreditar.

Essa novela antiga teve um novo capítulo recentemente uma vez que o Ministério Público de São Paulo produziu uma denúncia chocante, que só ratificou o tamanho do estrago produzido pela Universal em corações, mentes e bolsos. Registre-se: muito do que a denúncia do MP trouxe, já fora levado ao conhecimento da sociedade por Elvira Lobato.

Um exemplo brutal da “obra de deus Edir Macedo” foi o diploma assinado por ninguém menos do que Jesus Cristo, que foi concedido um “doador” da igreja que hoje, falido completamente, tenta na justiça reparar os danos terríveis a que foi submetido.

Por muito tempo, sob o argumento do estado laico e da liberdade religiosa, a imprensa, à boca pequena, tratou o assunto à distância. Felizmente, ele vem ganhando mais espaço na mídia. Que o cinismo evocado a pretexto de liberdade religiosa não nos engane.

Por fim, registro que não sou católico, não sou protestante, não sou ubandista, não sou sequer religioso ou apegado a Deus.

Por outra, é evidente que há aproveitadores em todas as religiões, assim como também existem jornalistas, políticos, pessoas de variadas atividades com conduta duvidosa.

No entanto, é chocante que instituições como a Iurd e muitas seitas continuem crescendo e enriquecendo à custa da ignorância alheia. Daí que, diante dos mais recentes acontecimentos no âmbito da justiça, torço que a “era do cinismo” vá embora definitivamente e possamos avaliar criteriosamente essa temática enquanto sociedade. E com a máxima urgência.

Anderson Passos

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