Sessão da tarde (uma era de horror)

Tenho sabidamente hábitos longe dos convencionais. Mas nos anos 80 era muito pior. Tanto que eu jamais tive um kichute, e ao longo da década citada, jamais ainda vesti uma calça jeans, optando sempre pelas calças de abrigo.

Daquela época guardo apenas umas poucas glórias, dentre as quais a de vestir uma botina da Star Sax, ainda jovem demais para morrer. E para inveja colérica do meu irmão mais velho.

Outro hábito que muita gente do meu tempo tinha, e que jamais me comoveu, foi o de assistir à Sessão da Tarde, da TV Globo.

Isso porque era uma repetição abominável de filmes, dentre os quais o maledeto Curtindo a Vida Adoidado.

A obra nunca me acresceu nada de importante, sequer visualmente. Para não dizer minha absoluta repulsa ao filme do há não muito falecido John Hughes, gosto da cena em que um babacão vê a Ferrari do pai caindo num penhasco no fundo da garage de casa. E só. Outro dia saiu na imprensa que a tal casa está à venda. Tenho N amigos que a comprariam… Talvez eu ateasse fogo nela.

Voltemos ao filme. Como o horror e o escárnio sempre prevalecem, é tempo de registrar que trouxe-me nababescas urticárias a cena em que Mathew Broderick dubla Twist and Shout, dos Beatles, em plena Times Square.

É muita megalomania. É muito cogumelo. Sessão da Tarde era muito K9 e James Belushi e Caça Fantasmas. Trapalhões vá lá. Mas desses eu vi quase todos no cinema. No mais, a Sessão da Tarde definitivamente, sempre nos mostrou uma era de horror cinematográfica.

Anderson Passos

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