Dilúvio

Começo este texto ainda na noite de terça-feira (8/9) e esfregando os olhos para tentar acreditar no tamanho do caldo que desabou por aqui.
Eu já vi chuvaradas das boas no sul, mas nunca com a dimensão que assisti na Paulicéia.

Eu lembro de ter levantado lá por umas 6h30min hoje cedo, já sob a sinfonia de desagradáveis trovões. Li os jornais do dia, tomei um café da manhã de dar inveja e quando comecei a me vestir, ouvi o som que remetia ao desabamento de um prédio. Era a sucessão de trovões associada a uma pancada que durou uns 40 minutos sem intervalos comerciais. Tutu, a mascote, corria alucinada pela casa e gritava como se estivesse sendo surrada.

Pacientemente, esperei o caldo afinar e, depois que isso aconteceu, devidamente protegido por um guarda chuva graúdo, resolvi imprimir minha caminhada até o ponto de ônibus. Ainda chovia. Ainda era forte, mas dentro do suportável.

Quando cheguei ao ponto, já tinha fechado a proteção mas, logo ao primeiro passo na escada do coletivo, Pedro mandou um temporal de quinto ato do “Rigottinho”, com perdão do trocadalho infame deveras.

O trânsito parou. Nada se mexia e a minha viagem que, geralmente toma 40 minutos, durou uma hora e meia. Só não me atrasei de fato porque meu horário de chegar no jornal é à tarde mesmo. Pelo menos valeu para colocar a leitura do meu Vida de Escritor, do gênio Giuseppe Talese, em dia.

Quando cheguei perto do trabalho, saltei do coletivo em passada corrida, perseguido por muito mais chuva, por fiscais de trânsito correndo e apitando alucinados e, claro, mais tráfego caótico. E, desta feita, com vento forte para encharcar todo mundo.

Eu tinha uma pauta para fazer fora da redação e, ainda que tenha corrido para encaminhá-la (já tinha viabilizado carro e etc), fui alertado por um motorista da firma.

– Vai ficar parado.

De volta à redação, lendo o noticiário na web e o desespero de quem chegava atrasado ao trabalho, abortei a missão. Bonito foi quando nossa recepcionista contou que, quando “chove de verdade”, o andar de baixo vira uma piscina e ninguém consegue ir embora. Quase que eu disse um “vou ali garantir o meu bote e já volto”.

Em alguns minutos, volto à rua. Tentarei chegar seco em casa. Mas não ouso ser otimista e acreditar nessa possibilidade.

Anderson Passos

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