Cena paulistana

Hoje, vindo para cá, subi no busão, passei o cartão magnético, cruzei a roleta – que aqui chamam de catraca – pedi licença a uma mocinha e sentei-me ao lado dela junto à janela.

Como o vidro estivesse fechado e um calor leve pairando no coletivo, pousei os olhos na janela pensando em abri-la.

Foi então que a jovem ao meu lado descalçou os tênis e as meias. Foi a senha para eu abrir a janela. Não que os delicados pés dela emitissem mau odor. Nada disso. Talvez tenha sido um ato totalmente instintivo apenas.

De repente, a mocinha abriu a mochila e dela puxou um par de sapatos de salto alto, que calçou em seguida.

Surpreso com a cena, eu cuidava os movimentos dela com o “canto do olho” e com o outro tentava me concentrar no meu livro do Giusepe Talese.

Então, ela puxou um pequeno estojo de maquiagem e com habilidade absurda, sem espelho algum, ela começou a se pintar ali mesmo.

E dê-lhe pó nas bochechas, um reforço nos cílios e um brilho nos lábios. Em seguida, desceu do ônibus.

Vendo-a partir, vi que se tratava não mais de uma menina e sim uma mulher. Uma digna cena paulistana

Anderson Passos

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