Tempestades

Na noite anterior ao meu embarque definitivo para São Paulo, no quase distante início de maio de 2008, duas coisas me tiraram o sono: a natural ansiedade da viagem e uma tempestade digna de Quinto Ato de Rigoletto – já diria o Nelson Rodrigues – que quase levou a minha casa para o brejo.

Felizmente, a casa, em Porto Alegre, nos altos do bairro Partenon, mostrou-se de uma resistência ímpar e uma ou outra goteira foi o efeito pior que se viu mais tarde. No entanto, sempre que cerro os olhos, sou capaz de escutar os urros do vento daquela madrugada.

Ao amanhecer, naquela que foi a rua onde morei, o que se viu foram postes cambaleantes, árvores de grande porte nocauteadas pelo chão e, evidente, falta de energia elétrica.

Naquele mesmo dia, quando tive de adentrar o avião e o vento ainda soprava lançando sons assustadores, eu pensava comigo reiteradamente na possibilidade de o vendaval derrubar o coletivo aéreo. Felizmente, fora uma ou outra turbulência, o voo foi tranquilo e, ironias a parte, cheguei em São Paulo sob o testemunho de um entardecer tranquilo.

Tergiverso em parte, eu sei. Mas agora prometo ir ao ponto. Ocorre que desde que vim embora as tais tempestades e sua já descrita violência têm sido constantes e os danos idem.

Cada vez que faço contato com minha mama no sul, os relatos das travessuras do tempo são progressivamente mais assustadores. Travessuras? Não, diabruras é o termo mais exato.

Os danos, que antes pareciam ficar ao largo do nosso pátio, estão progressivamente mais próximos.

O teto e o forro da casa são itens que, a cada maldição vinda dos céus, assustam sempre. Assim, ao telefonar em casa, depois de perguntar da saúde da mama – outro item que dá calafrios vez em quando – me preparo para ouvir as últimas da chuva.

Ao que se vê, saí do sul em boa hora. Mas a preocupação com os que ficaram é uma incômoda constante.

Anderson Passos

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