Olho de vampiro (4)

Três dias após a cirurgia, resolvi por a cara para fora de casa. Sob um sol escaldante, arrisquei caminhar até o barbeiro, distante não mais do que dez ou quinze minutos a pé da minha casa, na Vila Madalena, em circunstâncias normais.

Apanhei o fone, agendei para as 11h o corte, tomei uma ducha e me toquei para lá. No entanto, ao bater a porta de casa, já no corredor do prédio, comecei a sentir tonturas hediondas.

Quando saí à rua, com o sol à pino, o quadro ficou mais assustador. Suava frio e a tontura se intensificava. Minha passada era não mais do que hesitante.

O resultado é que, fazendo um caminho diferente, desci uma escadaria da Teodoro Sampaio e experimentei uma paralisia e lerdeza que desconhecia. Desci os degraus me segurando no corrimão tão qual um idoso de 98 anos.

Refeito do susto, consegui chegar ao barbeiro. E este me perguntou, assustado de vez, se eu não tinha apanhado na cara.

Anderson Passos

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2 comentários sobre “Olho de vampiro (4)

  1. Nossa And (posso te chamar assim??)…até eu fiquei assustada…
    Qual o motivo do subito mal estar?
    Gostei da sua persistencia…”a gente pode até cair duro no chão, mas que seja pelo menos com a barba e cabelo bonitinhos…” srsrrs

    E a volta pra casa? Foi mais tranquila?
    Bjs

    • É você, Fran? Bom, o mal estar se deu por conta da vista defeituosa, mas já superei essa fase. Já consigo andar com desenvoltura embora, vez em quando, a vista coçe e uma dor teimosa se apresente. Mas vamos em frente, que outro jeito ainda não há. Besos

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