O cheiro do “halo”

Outro dia, li num monte de sites e jornais que cobriram o show da Beyoncê que a balada Halo foi a música mais tocada de 2009. Não conheço a trilha, mas gosto de vê-la no mute. Feito o registro, sem pé nem cabeça, vamos à pataquada de hoje.

Ocorre que na segunda-feira de Carnaval (15/2), eu não escapei de ir à cozinha. As meninas que dividem o ap comigo haviam se tocado para a praia e eu não tive escapatória senão munir-me de paciência e alguma criatividade e cozinhar. Daí que, com duas bandeijas de salmão na geladeira, resolvi fazer um risoto rápido.

No entanto, além do lixo da semana passada inteira, as meninas me deixaram de herança uma casa de pernas para o ar. O começo dos trabalhos parecia animador: havia pouca louça na pia e ali comecei a labuta do lar.

No entanto, não mais do que de repente, a pia entupiu graúdo. E de tal forma que sequer o desentupidor dava jeito.

Passados 30 minutos ou menos, indignado da vida e soltando escabrosos e vibrantes palavrões que todo o condomínio deve ter escutado, parti para a radicalização: desenrosquei o encanamento da pia e toda a sorte de dejetos e água caíram no balde ali colocado.

O resultado é que o balde transbordou, molhando tudo o que havia ali entre panelas, potes e uma infinidade de cacarecos. Aliado a isso, um cheiro podre tomou o apartamento.

Ao me livrar da água podre, flagrei o quão porcos podemos ser, ainda que sem nos flagrar disso. Um exemplo é que havia entre os dejetos – atentem, falo da pia da cozinha – cabelo suficiente para fazer um aplique para a dona Beyoncê. As madeixas eram herança da Camila, que desde sempre perde cabelo a milhão.

Além do “aplique”, achei grãos, sementes e pedaços de toda a sorte de legumes possível. Se eu quisesse, faria uma salada fácil. Agora, o mais sombrio: havia duas colherinhas, dessas que se usa para mexer o cafezinho no meio daquela tralha mal-cheirosa.

Provavelmente elas é que davam ênfase ao caminho trancado do ralo. Toda essa epopéia começou perto do meio dia. Só as 15h consegui almoçar, lutando para fazer escapar da mente enquanto me alimentava a visão abominável da “macarronada de cabelos e grãos, misturadas a românticas colherinhas.

Anderson Passos

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