Cota econômica já

Por mais que se fale em dívida social no Brasil, acreditar que as cotas raciais que assistimos vingar em instituições de ensino superior – privadas ou não – Brasil afora podem quitar ou diminuir erros do passado me causam náuseas.

O tema está sendo debatido em audiências públicas no Supremo Tribunal Federal e, claro, as ONGs ligadas aos direitos das pessoas de cor e de outras minorias participaram amplamente dos debates. Vejam, nada contra isso. Quanto mais opiniões – e melhor que elas sejam divergentes – mais fácil se chegar a bom termo.

Claro que não se pode chegar ao ponto defendido pelo DEM que, representado na audiência pelo senador Demóstenes Torres (DEM-GO), chegou ao disparate de dizer que os negros foram co-responsáveis por sua situação de escravidão no passado. Chegar a tanto me parece ofensivo até.

Não faz muito, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que seu governo, para proteger o Brasil da crise financeira mundial, fez o óbvio. Isto é: procurou os empresários de todos os setores para manter os empregos e continuar produzindo e ampliou o crédito. O óbvio.

Pois devia usar da mesma cartilha na questão das cotas raciais. Daí que, inspirado pelo óbvio presidencial, a seguir farei o mesmo.

Logo, o que estudantes negros, amarelos, mestiços, indígenas e de cores e limitações outras merecem é apenas o óbvio: cota econômica. Cota que deve ser o critério de ingresso na universidade pública. Assim, o aluno sem recursos estuda na universidade pública e mais abastado que vá custear seu ensino numa escola privada, ora pipocas. Simples assim.

Por outra, cota racial – e isso eu ouvi inclusive de negros – é uma demagogia, um desrespeito a auto-estima dos não brancos.

Cota racial pode ser lindo visto do ângulo da TV, mas imagine o constrangimento de um sujeito beneficiado por tais cotas ao adentrar uma sala lotada de bons patrícios de decendência européia, mesmo que subliminarmente.

Alguém cochichará certamente sobre o novo colega:

– Lá vem um cotista.

Assim, faça-se e aplique-se o óbvio: cota econômica já na universidade pública. Lugar de bacana é na universidade privada.

Anderson Passos

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