A longa era do futebol de botão (6)

O Campeonato Brasileiro de futebol de botão da minha rua deu-nos o luxo de estrear uma nova sede: a garagem do Gilsinho.

Em campo Atlético Mineiro (Márcio Barbosa), Bofafogo (Sandro Fumaça, Bugre, Senhor Cuia), Corinthians (dirigido pelo Rambo, vulgo Lela, vulgo Capitão Costela, o Alex, enfim), Internacional (dirigido pelo saudoso Marcelinho) e teve ainda o Jequinha, que dirigia o (não lembro). Ele que comente o texto e me lembre.

E, claro, destoando de todos, ali estava também o Democrata de Sete Lagoas, dirigido por este humilde cronista.

Passada a fase classificatória, com todos jogando contra todos em turno único (ou seriam dois turnos?), cujos resultados não vou lembrar – senão que empatei um ou outro jogo e ganhei por um gol de vantagem os demais – cruzaram-se os quatro primeiros colocados: e eis que Atlético e Democrata, para desespero do Barbosa, iriam se enfrentar nas semifinais.

E o jogo foi aquilo mesmo: Galo pressionando full time e a brava defesa do Democrata resistindo heroicamente. Até que num chute absolutamente lotérico, o zagueirão – sempre os beques – Waldir deu um bago (chutão para o alto) e a pelota caiu no fundo das redes de João Leite, o arqueiro atleticano.

Democrata classificado para a grande final, com direito ao Barbosa virando a mesa. Ganhar tinha um gostinho especial. Mas ver o dirigente atleticano nervoso e atirando o campo para o alto não tinha preço.

Democrata classificado para a grande final contra o Botafogo, treinado por Bugre. E, ainda que eu fosse alvo de uma torcida absurda do dono da casa, sai perdendo. Botafogo 1×0. À distância do campo, o Gilsinho berrava:

– Coloca esse goleiro direito, merda.

Ignorei. No segundo tempo, Zenon, em bola parada, empatou a peleja. Parecia que o Gilsinho tinha feito o gol. Ele comemorou mais do que eu.

Mas, no final, criada mais uma rara situação de gol pró-Fogão, novamente posicionei meu arqueiro equivocadamente.

Gilsinho berrava:

– Ajeita o maldito goleiro.

Ignorei. Fogão 2×1. Era a contagem final. Perdi, mas a fama do Democrata correu a “Europa”.

Anderson Passos

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4 comentários sobre “A longa era do futebol de botão (6)

  1. Viu!!! Se tivesse me dado ouvidos…hehehehe
    Contei para o pai do teu blog e narrei algumas histórias…rimos muito… e ele te manda um grande abraço!

    PS.: Ele pediu pra te dizer que capão um dia, deve ser narrado tb.

    Abraço

    • Denúncia grave. Vamos chamar a promotoria para investigar o sequestrador e o fim do velho Criciúma. Abraços irmão.

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