Sem ar

A semana que passou foi marcada por uma gripe colossal a que enfrentei e, com cujos resquícios, ainda me debato. A doença foi de tal intensidade que um velho fantasma da infância também me veio imperioso: a falta de ar.

Convivi com o sintoma até entrar nos 30 e poucos anos, pelo menos. Ocorre que tive bronquite asmática na infância e por bom pedaço da idade adulta. E, uma vez ‘curado’, sempre que uma gripe forte se apresenta, a doença antiga vem flertar comigo.

Semana passada eu andava pelo Viaduto do Chá, na região central de São Paulo, quando o peito começou a chiar e senti que o ar não vinha. Diminui o passo. E lembrei de uma madrugada da minha infância feliz.

Nessa noite estávamos eu e meu avô na casa do meu tio, na praia. Lembro de o lugar estar em reforma e que o cheiro de tinta era atroz. Nisso eu tentava dormir, mas a tosse e a falta de ar se impuseram.

Testemunha do meu suplício, meu avô ergueu-se de sua cama e convidou-me a andar pela madrugada litorânea. Pacientes, caminhamos por meia hora até o posto de saúde da cidade.

Meu avô me confortara e tranquilizara de tal modo que o pânico da falta de ar tinha se ido. Sequer ingressamos no posto.

Volto ao Viaduto do Chá e à minha crise de ar recente: a cena infantil que descrevi acima me veio toda à mente e pedi que meu avô me acompanhasse em mais aquela caminhada da vida real.

A falta de ar se foi. Verdade que ela voltaria, mais tímida. Mas não voltaria mais com aquela força assustadora. Aliviado, agradeço ao meu bom avozinho pela força que me passou.

Anderson Passos

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