Do fazer de conta

Façamos de conta que nada aconteceu
Que é preciso viajar e sonhar tudo outra vez
Façamos de conta que foi mal-entendido,
Ou que foi briga quase fatal.

Façamos de conta que eu nunca te amei
E que não foi isso que me trouxe aqui.

Façamos de conta que quando eu quebrar os pratos,
Queimar os livros,
Pichar as paredes,
Rasgar os escritos
Até morrer no infinito
Façamos de conta que seja algo apenas corriqueiro.

Façamos de conta que, revendo tuas fotos, não fomos cúmplices
E, de algum jeito,
Do nosso jeito,
felizes.

Façamos de conta que a vida nos chamou para fazer outras coisas
E tão ocupados estamos que não mais nos veremos

Façamos de conta, até que dê certo, de que tudo sairá a contento
E que não sairemos por aí dizendo,
mesmo à boca pequena,
o nome do outro.

Façamos assim: o combinado
Seja feliz enquanto eu me viro
Enquanto eu bebo, me afogo, enquanto luto
Pra fugir do meu luto [inexorável] de não lhe ter.

Anderson Passos

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