A foto da capa

O jornal Extra, do Rio de Janeiro, fez uma criativa capa na última sexta-feira (24/9) para rebater as acusações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que a mídia estava sendo pra lá de parcial na cobertura da sucessão presidencial. Aliás, a imagem da capa vai aqui ó.

No entanto, ainda que o comportamento presidencial tenha extrapolado os limites da chamada “liturgia do cargo” – o que é altamente digno de censura – vale dizer que não há censores apenas no arado petista.

Eles pululam aos borbotões também no ninho tucano, nas hostes demistas, onde mais se queira. Basta que o jornalista escreva algo “fora do lugar” e o político atingido vai ligar no seu editor e exigir sua cabeça sob uma bandeja de prata. Faz parte do jogo. E, aliás, cada um joga à sua maneira.

Lula pode ter jogado muita coisa no ventilador, é verdade. Mas fato é que não se pode dizer que Veja e Carta Capital, para ficarmos em dois exemplos apenas, sejam chamados de revistas ou,indo mais longe, órgãos de imprensa. Ambas são a perfeita tradução de escracho jornalístico atrelado à política partidária.

A favor de Lula o fato de que, mesmo tomando cacetadas repetidas de Veja, os anúncios do governo federal continuam nas páginas da revista. Ditadura ou ameaça à democracia, de fato, seria que Lula deixasse a revista da editora Abril sem um único anúncio e “azar do goleiro”, não?

E o que deve ter de petista sedento por fazer isso num governo Dilma não está no gibi. Mas registro: Lula poderia “calar” Veja com corte de anúncios, simplesmente. Não fez. E, vamos e venhamos, este é um sinal de que essa onda chavista nada mais é do que propaganda política, plantação de paranóia, o nome que quiserem dar.

Também foram colocados no mesmo saco, em especial pelos petistas, os jornais Folha de S.Paulo e o Estado de S.Paulo uma vez que estes, vem publicando – e talvez tenham uma bomba em mãos – matérias que, aos poucos, vem embaraçando a candidata governista. O Estadão, aliás, tardiamente, publicou editorial em apoio a Serra. Ficaríamos aliviados se o tivesse feito em janeiro. Medo de perder anúncios estatais? Considerando o que escrevi sobre Veja, parece mais um receio inútil. Aparentemente…

Insisto, mais confortável e ditatorial e etc seria Lula cortar no bolso dos órgãos de imprensa. Não fez. Se isso vai redundar em voto, realmente não sei. Mas essa história de ditadura de esquerda, chavismos, etc, é tão somente neurose eleitoral.

Anderson Passos

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