José Padilha

O diretor de cinema José Padilha está prestes a estrear a segunda parte do aclamado Tropa de Elite neste final de semana.

Mas, antes desse viés de construir heróis ou vilões policiais, o diretor cometeu uma obra prima: o documentário Ônibus 174.

O filme – não confundir com um romancezinho adaptado da família Barreto – narra a história do sequestro ocorrida em 2000 e, ao mesmo tempo – e com brilhantismo profundo – a história pregressa de Sandro do Nascimento, o assaltante.

A depor contrariamente à fita, apenas o fato de o áudio dos eventos, que foram fartamente documentados pela mídia na época, estar, em muitos casos, inaudível. Fato reconhecido pelo diretor inclusive.

No entanto, é de arrepiar o histórico de Sandro quando o diretor nos joga na cara que sua mãe foi assassinada a facadas na sua frente ou que ele sobreviveu à chacina da Candelária. Fato que, se fosse do conhecimento dos policiais que atenderam o caso, poderia assegurar uma outra condução para o episódio.

A fita, recupera, inclusive, o histórico das passagens de Sandro Nascimento por instituições de apoio ao menor que, obviamente, não o recuperaram.

De outro lado, de volta à cena do crime, Padilha é preciso ao exibir a falta de estrutura da polícia no atendimento ao caso. O isolamento da área só se consolidou depois que o Batalhão de Operações Especiais (Bope) chegou ao local. Mesmo assim, populares e jornalistas se acotovelavam para ver o que acontecia.

De repente, o espectador se pergunta por que, diante de tantas oportunidades, um sniper não disparou sua arma de modo a matar ou a desarmar Sandro.

Outro item de suma gravidade reside no fato de que não havia uma mínima comunicação via rádio entre o comando da operação e seus subordinados, o que ocorria por mímicas.

O desfecho do caso, todos os que puderam ver pela televisão lembram, foi que Sandro, inesperadamente, deixou o veículo agarrado à professora Geíza Gonçalves. Cercado por um policial, Sandro estacou, mas os tiros sequer o atingiram. A professora foi atingida tanto pelo seu algoz quanto por quem deveria defendê-la. Marcelo Oliveira dos Santos, o soldado, foi absolvido de qualquer culpa já na sindicância da PM constituída para apurar o caso.

Mais grave: os policiais que mataram Sandro por sufocamento na viatura que o conduziu para fora da cena do crime seguem na ativa.

Anderson Passos

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