Unisinos FM (10)

O começo do fim daquela geração da 103.3 teve ter começado quando estávamos cobrindo um vestibular da Unisinos e flagramos uma rádio concorrente com jalecos que continham anúncios da própria universidade, que nos negara, incrivelmente, o mesmo benefício.

Indignados com aquele desprestígio, repassamos à informação ao Paulo Torino que, como um raio, desceu à reitoria para cobrar explicações. Deve ter ouvido uma desculpa qualquer. E claro que não gostou da resposta.

Adelante, o mês devia ser janeiro ou fevereiro de 2003, uma estranha ligação caia no estúdio vinda do gabinete anexo do então ministro das Comunicações, Miro Teixeira, que perguntava pelo diretor da emissora, Alexandre Kieling.

Era um sinal de que o gajo, ex-repórter da afiliada da Rede Globo no Rio Grande do Sul (RBS), que dirigia a nascente e medíocre TV Unisinos, já tramava para derrubar o que ele vendera como a pedra no sapato da reitoria: o combativo Paulo Torino, fundador e diretor da 103,3.

A seguir, fez-se nova crise, que até hoje não entendi. E, se ler isso, quem sabe o mestre me explique pois que não acreditarei em outras versões.

Ocorre que, de repente, a reitoria passou a cobrar a saída do programador Flávio Bernardi. Pouco carismático com os aprendizes da rádio, houve quem vibrasse com a cobrança e apostasse na saída.

No entanto, Torino e Bernardi, para o bem ou para o mal, estavam entre os fundadores da rádio e fiel até demais, Torino teria decidido não acatar o pedido da reitoria.

Uma estranha tensão tomou a redação quando um intrépido Alexandre Kieling tentou entrar lá dizendo que queria uma reunião com a redação. Foi impedido de entrar pela Patrícia Weber, editora do turno da tarde.

Minutos depois, a redação recebeu a pá de cal: Torino e Bernardi caiam juntos. Se a programação musical já andava mal das pernas, o problema não era dos estagiários e dos profissionais que ali estavam. Só Flávio Bernardi ditava as regras nesse sentido.

Mas ali o jornalismo que se praticava na 103.3 sofreu o seu mais duro golpe, do qual jamais se recuperaria. E a agonia ainda duraria meses.

Anderson Passos

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