Ele, o Fusca

Leio a Folha de S.Paulo e dou de cara com um livro do holandês Paul Schilperoord escreveu sobre a origem do Fusca.

O autor revela, entre outras coisas, que o projeto do automóvel popular é erroneamente creditado a Ferdinand Porsche enquanto que o verdadeiro autor foi exatamente o engenheiro judeu Josef Ganz.

O nome do engenheiro judeu acabou varrido do mapa e só voltaria à tona agora pois que foi na Alemanha nazista que o Fusca começou a ser fabricado em escala industrial.

Volto ao nosso contexto para dizer que me complico toda vez que entro num táxi ou nesses carros mais modernos.

Eu, desde a infância, me apanho varado pela lembrança do bom e velho Fusca. Em idos dos anos 70, por exemplo, o meu tio – irmão da minha mãe – tinha um modelo branco, o primeiro da família.

Um dia, num acesso de raiva, ele convocou a mim e a um amigo meu – não devíamos ter mais do que cinco anos – para capotar o carro aos empurrões. E claro que fracassamos.

Mais tarde, já casado, meu tio surgiu com um modelo azul, que estacionava na rua e meus amigos, em meio ao futebol, teimavam em sentar no capô, ao que o meu tio, policial que era, surtava pois entendia que aquele carro valia ouro e não podia ser tocado por aquela turma toda suada.

Também era num Fusca que meu pai, irresponsavelmente “calibrado”, ziguezagueava pela avenida Bento Gonçalves, em Porto Alegre, comigo no carona berrando algo como.

– Vou te ensinar a dirigir assim.

Era pilotagem agressiva, fato. Mas meu pai foi embora de casa antes que pudesse me dar qualquer aula.

Mais tarde, quem apareceu em casa foi meu padrasto, primeiramente a bordo de um Fusca verde que, anos depois, ficou amarelo, ganhou rodado moderno e foi rebaixado. A versão amarela, aliás, tinha o curioso nome de “Navalhada”.

Ocorre que o antigo dono fora esfaqueado no banco do carro numa tentativa de assalto que eu nunca soube no que dera. Mas a lenda e o banco cravejado de punhaladas indicava que, ao menos, a briga tinha sido graúda.

Opa, entrei na sessão nostalgia e nem creditei o livro devidamente: chama-se A Verdadeira História do Fusca e foi editado pela Alaúde. Aos nostálgicos ou interessados em carros, boa leitura.

Anderson Passos

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