Sabor de infância

Quando morava na Vila Madalena, a nega Paloma, uma cozinheira de mão cheia que morava comigo, me fez voltar à infância, louca ela que era por vitamina (ou batida) de abacate.

Toda vez que íamos ao supermercado juntos, a negona, chamando a atenção pelas roupas minúsculas e pelo cigarro sempre entre os dedos, eu pedia para ela escolher o abacate do dia.

Pois me mudei, perdi Paloma e as demais meninas com quem morava de vista, mas fiquei com a assombrosa nostalgia da vitamina de abacate, que mama me fazia comer na infância com muito açúcar.

Daí veio o final do ano, algum trocado sobrando e comprei um liquidificador, item essencial ao preparo das batidas.

Comprei o primeiro abacate no escuro, isso é, sem me informar sobre que critérios para a escolha deveria adotar. O resultado da inauguração do liquidificador foi desastroso: a fruta estava verde e o sabor ruim demais. Perda total.

Pois eis que no findi passado, antes de cozinhar o feijão maravilha, do post recente, fui ao mercado, peguei um abacate amaciado e fiz o batidão mais que perfeito.

Feijão e abacatão nunca mais serão exceção lá em casa.

Anderson Passos

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