Vizinhos incômodos

Nesta segunda-feira (21/2), a boate Love Story, que se intitula “a casa de todas as casas” em São Paulo, receberá produção e elenco do filme Bruna Surfistinha, com direito a Déborah Secco e tudo o mais para celebrar o lançamento da fita que, proximamente, desembarcará nos cinemas.

Embora vizinho muito próximo do lugar, nunca pus os pés lá. A nega Paloma, que morou comigo, contava “maravilhas”. Dizia das amigas, por exemplo, algumas delas prostitutas, que ficaram revoltadas com a nova norma da casa de acolher travestis em seus aposentos.

A imprensa dá conta de que a casa é frequentada por uma gama diversa de pessoas: adentrando lá, pode-se ver atores e atrizes globais, mauricinhos, um ou outro desgarrado da zona leste, uma verdadeira fauna.

Como moro perto da boate, e de uma trinca de outros puteiros abundantemente frequentados na região da Praça da República, tenho esses vizinhos como incômodos pois que, ao longo da semana, e sobretudo aos sábados, domingos e feriados, o dia raia mais cedo para este escriba, ainda que munido de protetores de ouvido.

Não, não é o sol adentrando a janela nem são os passarinhos ou galináceos a cantarolar. Ocorre que, diária e infelizmente, em torno de 4h, o público dessas casas começa a sair do ambiente festivo para ingressar no ambiente perigoso das rixas construídas dentro dos salões.

Já flagrei, e ainda estou por documentar em vídeo, a praça de guerra em que se torna a região nessas horas, quando grupos maiores e menores de homens resolvem acertar suas diferenças a tapas, socos, chutes e garrafadas. Também já ouvi tiros. As brigas também envolvem casais que se engalfinham depois de flertes fora de hora.

Fora o consumo mais do que desenfreado de drogas, que não respeita sequer a luz do dia. Tanto é assim que, uma vez, num final de semana, eu flagrei uma dupla consumindo cocaína logo após deixar uma boate vizinha. Eram apenas 11 da manhã.

Não sei se é lenda urbana, mas vários vizinhos já relataram que há uma liminar na Justiça favorável ao município para tirar o Love Story da região o que, para muitos, resolveria essa tensão noturna a que os moradores do centro são submetidos quase diuturnamente.

Eu acho que o furo é mais embaixo: uma presença mais efetiva da polícia poderia resolver o problema. Mas o diabo é que não há perspectiva para isso se alterar, seja qual for a alternativa.

No meu prédio, três apartamentos se esvaziaram com pessoas afugentadas pelo barulho. Eu ainda não sei como estou resistindo. quer dizer, até sei: a minha zeladora é quase uma mãe per me. E assim vou ficando.

Anderson Passos

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