Mini Nana Caymmi

Hoje (2/5), mal me acomodei no buzão que me trouxe ao trabalho quando uma senhora, que lembrava uma versão mini da cantora Nana Caymmi, sentou-se ao meu lado. Até aí nada demais.

O diabo é que a criatura abriu um pacote de Doritos e uma lufada fedida que misturava milho e temperos diversos me engolfou.

A minha primeira reação foi começar a ter ânsias de vômito dantescas. Então, num esforço absoluto de concentração, tentei respirar o ar da rua que vinha da janela – lotado de óxido de carbono, registre-se – e tentei dormir. Tentei.

Mini Nana Caymmi tratou então de mastigar, um a um, cada salgado com método, delícia, com prazer mesmo.

E como ela dirigisse o rosto à janela onde eu estava, o “doce hálito” de Mini Nana Caymmi tornava as coisas ainda piores.

De repente comecei a ter fantasias alucenógenas: não via a hora de aquele pacote de Doritos criar vida própria e me engolir.

O calvário durou pouco mais de uma hora – o tempo da viagem – quando finalmente desci do ônibus plenamente impregnado daquele aroma desconfortável.

Da rua, ao cruzar pela janela, onde Mini Nana Caymmi estava, percebi que ela ainda mastigava seus fétidos salgadinhos.

Anderson Passos

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