Ney Matogrosso

Vendo o Roda Viva da TV Cultura de São Paulo, onde Ney Matogrosso era o entrevistado, nesta segunda-feira (23/5), devo dizer que passei a admirar o cara ainda mais. Defini-lo como um ator que canta é de uma precisão cirúrgica, reconhecida pelo próprio.

Sem levantar bandeiras do movimento homossexual, papel que sempre recusou, aliás – e acho que esse é o seu maior trunfo – o cantor relembrou as lutas corporais com o pai (militar), que não aceitava o fato de o filho ter a ambição de ser artista e da reconciliação que ambos tiveram.

Em outro ponto da conversa, sem fazer apologia, Ney disse que fumando um baseado de maconha, refletiu a ponto de desligar-se dos rancores daqueles que o atacaram a vida inteira, em especial a João Ricardo (violão, harmônica e vocais), dos Secos e Molhados, banda que revelou o artista.

O momento mais comovente da conversa foi quando Ney revelou o dramático fim de um parceiro nos anos 80, este vitimado pela Aids. Não vi relato mais dramático e contundente de um final de vida. E só não contarei de todo aqui para não queimar o DVD da entrevista.

Adelante, o cantor apontou sempre com a sinceridade que lhe é peculiar que “os políticos estão abaixo do nível crítico” relembrando mensalões da vida e que tinha vergonha de, viajando pelo exterior, ter de explicar sobre os escândalos da nossa politicalha.

Ney Matogrosso é um orgulho para a classe artística e cidadania brasileiras e, em especial, para seus fãs. Me incluo na segunda categoria.

Anderson Passos

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