Secos e Molhados

Numa entrevista recente do Ney Matogrosso no Roda Viva, da TV Cultura, alguém lembrou que no ano que vem lá se terão ido 40 anos do primeiro álbum do grupo.

Ney ponderou apenas que nenhuma comemoração, reunião, nada de especial seria feito. Mas deixou que os ex-colegas João Ricardo e Gerson Conrad ficassem à vontade.

Eu fiz minha parte no que se refere à comemoração antecipada. Numa recente ida à Galeria do Rock – em meio a metaleiros, skatistas e emos – encontrei um CD produzido pelo Charles Gavin que reuniu os dois primeiros discos do Secos e Molhados.

Me pus a ouvir o CD neste final de semana que passou e, embora sem ouvi-lo de todo, fiquei maravilhado com a riqueza não apenas performática da banda – que inspirou o Kiss a pintar a cara, dentre outras coisas – mas pela sua ousadia de mixar literatura e música.

Exemplo mais conhecido disso para o grande público talvez seja a memorável Rosa de Hiroshima, de Vinícius de Moraes, imortalizada sob violão e voz.

Mas também tem Rondo do Capitão, com letra de ninguém menos que Manuel Bandeira. Então vem o segundo disco e as figuras literárias surgem mais encantadas: Julio Cortazar (Tecer Mundo) e Fernando Pessoa (Não: Não Digas Nada).

Além de tudo isso tem uma faixa que destaco afeiçoado, que é O Patrão Nosso de Cada Dia que, reza a lenda, pedi para me ninar num porre homérico pós final da Copa do Mundo de 1994 na casa do meu inestimável Daniel de Mendonça.

Se ele ainda é leitor desse espaço, ele há de confirmar a história. E, quem sabe, me absolver…

Anderson Passos

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