Gentlleza e burocracia (1)

Ontem eu rumava de táxi para a inauguração da ponte Orestes Quércia em São Paulo conduzido por um bom taxista mineiro, que falava das maravilhas da pinga local.

Conversa vai, conversa vem e optei por desembarcar no acesso por trás do palco, em plena Marginal Tietê sentido Castelo Branco.

E eis que surgiu outro problema: atravessar aquela via em segurança. Então, como que por mágica, o taxista que antes não sabia onde parar avistou fiscais da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e, parando próximo a eles, pediu ajuda para que eu pudesse atravessar a via. O fiscal deu seu aceite de pronto e desembarquei.

Ato contínuo, eu e o fiscal nos posicionamos às margens da via e aguardamos o melhor momento de atravessar. De repente, ele solta:

– Estava tudo tão calmo há pouco. A saída é ter paciência.

Então passamos a falar das atrocidades do trânsito nessa cidade quando ele fez uma primeira menção de me apanhar pelo braço, como se eu fosse um cego.

Demos uma passada juntos, quando ele recusou:

– Vem ônibus. Cautela, cautela.

E lá se iam dez minutos quando ele diz, em tom quase militar.

– É chegado o momento.

Dois, três, quatro passos depois, ele me aperta o braço com mais força e diz.

– Agora é o momento de o senhor correr MUITO.

Segurei a pasta junto ao corpo e obedeci. Corri graúdo e finalmente atravessei. Em seguida, fiz um aceno em agradecimento.

Amanhã descrevo a burocracia…

Anderson Passos

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