A queda

Não, este post não tem como título qualquer referência ao filme estrelado por Bruno Ganz. O furo é mais embaixo.

Ocorre que dia desses eu limpava meu banheiro e, passado o piso em revista por um pano com detergente, eis que eu disse comigo:

– Tudo limpo, hora do bagno.

Então me despi, pus o pé direito – descalço como o esquerdo – dentro do box e o tapete ali colocado me traiu fazendo que eu resvalasse e caísse de forma brutal com a bacia exatamente sobre o pequeno – e agora maldito – degrau que separa o box do resto da sala de banho.

Nada é capaz de descrever a dor que eu senti. Quanto mais o susto pois que, inicialmente, deixei de sentir as pernas por um momento. A aterrorizante visão do “fiquei paralítico” me assombrou.

Fiquei deitado no piso por cerca de 40 longos minutos. De primeiro gritei, inutilmente. Não poderia haver quem me socorresse pois que moro sozinho.

Então passei a sentir as pernas. E já que gritar por socorro nada resolveu, eu urrava em alto volume o termo “demônio” repetidamente e cada vez mais alto.

Então comecei a deixar o corpo resvalar um pouco mais de modo que a pia me ficasse ao alcance de um dos braços. Feito isso, apoiado apenas pelo braço esquerdo, comecei a me erguer com lentidão cautelosa.

Finalmente em pé, urrei novos berros ao demônio que tentara me assassinar. E o desafiei a voltar. Para acabar de vez comigo mesmo, quem sabe.

Anderson Passos

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