Queijinho

Há dois finais de semana que cumpro plantões no jornal onde trabalho. No domingo último eu ingressei no ônibus para retornar para casa e senti um mal cheiro horrendo logo ao subir o primeiro degrau da escada que me levaria à catraca.

Era um chulé desses inenarreáveis. E, para melhorar o quadro, fiquei num acento logo após a catraca onde um maldito celular tocou e minha vizinha ficou, por minutos incontáveis, a confessar-se.

A imagem engraçada daquela conversa é que, vez em quando, ela berrava.

– Meu filho, tá um chulé dentro desse ônibus.

E a mulher se erguia, respirava o ar poluído de São Paulo pela janela, e se juntava a nós, os demais, vítimas daquele suflê de queijo parmesão.

Como ela se erguesse sem intervalos, busquei vaga em outro acento mais ao fundo do carro. Dei sorte pois fiquei perto de uma janela escancarada, onde o vento me aliviava daquele inferno.

Um dia ainda coloco talco e desodorante na pasta para lançar sobre a gangue dos mal-cheirosos.

Anderson Passos

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