Presidente Datena

Depois que o Datena deu uma volta no bispo eu voltei a virar seu fã mais do que incondicional. Abaixo, publico entrevista recentemente concedida por ele à Ana Carolina Rodrigues, do Estadão.

‘Olham na minha cara e já me associam com tragédia’

ANA CAROLINA RODRIGUES
Pai de cinco filhos, avô de três netos e casado há 34 anos com a famosa dona Matilde, José Luiz Datena, de 54 anos, está em uma fase mais tranquila. Datenão – como ele se refere a si mesmo – sai pouco e quer deixar, em breve, os programas policiais. Em uma hora de conversa, na sala de sua casa, em Tamboré (SP), ele mostrou que continua o mesmo em um aspecto: gosta de falar, e muito, sobre tudo e todos. Até sua conturbada saída da Record, menos de dois meses após deixar a Band, para onde retornou, entrou no bate-papo. Assunto que diz querer evitar.

A Record quer cobrar uma multa por sua saída. O que acha disso?

Eu acho que quem tem de pagar é a Record. Saí de lá porque os caras estavam me censurando. A emissora tem muito mais dinheiro que eu. Não estão construindo um templo de Salomão, que é maior que o estádio do Corinthians?

O que mudou na Record no tempo que ficou fora dela?

A Record quer ser a Globo e aí f… O bispo Gonçalves (Honorilton Gonçalves, vice-presidente do canal) agora fica em um lugar que você tem de apertar botão para entrar. Para conversar com o cara, tem de ser espião, ter curso na CIA. Na minha época, eu subia na sala dele toda hora. Eles podem virar a Globo, mas falta muito.

Você disse que quer apresentar o ‘Brasil Urgente’ por só mais um ano. E depois?

Acho que é muito. Gostaria de apresentar por menos tempo. Mas é importante para a grade da emissora. É quase uma utopia a Band me tirar do horário, mas vai chegar um ponto que não vai ter mais jeito.

Você já foi ameaçado?

Ameaçado, eu sou sempre, mas não ligo para ameaça. Quem quer matar não ameaça.

Que tipo de ameaça recebe?

Todo tipo. Carta que a polícia intercepta, telefonema. Há muito tempo, me ligaram e fizeram uma bem concreta. Sabiam o nome dos meus filhos e onde eu moro. Mas o problema não é esse. O problema do ‘Brasil Urgente’ é que eu acho que já cumpri minha função nele. Eu cansei de ser o arauto da injustiça social do País.

Você não teme ameaças. Mas tem medo do quê?

Eu tenho medo de tudo, inclusive das ameaças, mas não a ponto de me paralisar.

Você tem segurança particular?

Não, não tenho.

Nunca andou com um?

Andei por uma semana com um que a Band arrumou porque disseram que o PCC queria me matar.

Você é do tipo que sai à noite?

Não. Trabalho muito e tomo alguns remédios que me deixam desgastado (ele fez uma cirurgia no pâncreas para retirar um tumor benigno há cinco anos). Então, prefiro e gosto de voltar para casa. Quase não saio.

Consegue ir a supermercados, lugares triviais?

Na fase da dureza, adorava ir a supermercado. Hoje, não dá mais, primeiro pelo fato de trabalhar, segundo porque muita gente vem falar com você. E eu dou atenção. Acho falta de educação não atender.

O que as pessoas te falam?

Comentam sobre assuntos do programa, falam de denúncias. Aí não dá. Você vai pegar uma margarina e o cara vem e fala: ‘Olha, Datena’.

As abordagens são só amistosas?

Uma vez, em um restaurante, fui no banheiro, voltei e um cara me disse: ‘Você me deve uma’. Eu já medi o cara para dar uma cabeçada nele, sabia que não era coisa boa. Ele falou assim: ‘Eu sou o cara da chácara de onde escaparam os seis Rottweiler (que atacaram uma criança). Você disse que eu sou assassino. Eu não sou’. Respondi: ‘Você não é só um assassino, como é um canalha’. Empurrei o cara, aí separaram. Um pouco por isso prefiro não sair muito.

Por que você não sabe como reagir a algo assim?

Se o cara vier dar uma porrada, vou dar uma porrada também.

E como você se diverte?

Diversão, para mim, hoje em dia é ler, estar com minha mulher, com meus filhos. Chega um momento que você tem de desacelerar.

E você está nesse momento?

Acho que estou. Estou procurando fazer menos, curtir mais. Ser feliz não é ter posses. Precisei ganhar dinheiro para aprender. Por isso que estou cagando para a Record me cobrar multa. Admitamos que eles ganhem, se eles tomarem tudo o que eu tenho, e daí? Eu recomeço. Importante não é ter, é ser. Sou um cara legal. Não atrapalhei a vida de ninguém, a não ser de canalha, de corrupto.

Tem saudade da época em que era repórter esportivo?

Lógico. Foi a maior fase da minha carreira. Eu era tido como do bem. Hoje olham na minha cara e já me associam com tragédia. Por isso que metem o pau em mim.

Você já usou drogas?

Não, usei nada.

Nem experimentou?

Maconha. Usei uma vez e foi uma porcaria. Eu tinha 17 anos.

Você é contra a descriminalização da maconha?

Sou contra qualquer tipo de droga. Mesmo porque eu vivi isso na pele, com meu filho (Vicente, de 30 anos, foi viciado em crack durante a adolescência), mas não quero mais comentar sobre isso.

Como lida com as críticas?

Eu deixei de lidar com elas. Se falo de crime, sou sensacionalista. Se estou fazendo piada, dizem que é mau gosto. Sou um cara marcado.

Você disse que perdeu R$ 350 mil por mês ao deixar a Record. Seu salário é bem acima da média…

É. Deus sempre erra a meu favor.

Em que você gasta seu dinheiro?

Eu não gasto, eu compro coisas.

Como foi sua infância?

Foi pobre, não tinha mistura durante a semana. Mas foi legal.

Você é religioso?

Eu falo com Deus, mas não sou carola, de ficar indo à igreja.

O que mudou na sua vida depois de retirar o tumor no pâncreas?

Porra nenhuma. Tomo uns 12 comprimidos. Os médicos me salvaram, mas essa história de repensar a vida não existe. Eu tinha de fazer exames a cada seis meses e nunca mais fiz.

Mas por que não faz os exames?

Eu não tinha nada. Entrei em uma máquina e o cara descobriu um tumor no meu pâncreas. Vou procurar mais o quê? Mas espero que as pessoas não façam o que estou falando.

Você votou na Dilma?

Voto deixa para lá, mas estou achando ela do caralho. Nós precisamos ter uma presidente mulher para dar uma de macho. Nem o Lula, que foi um puta presidente, fez isso. É um começo legal, mas ainda acho pouco.

É casado há quanto tempo?

Há 34 anos, com dona Matilde. É meu primeiro e único casamento. Me separei dela e voltei. Nunca devia ter separado. Fiquei dois anos fora de casa e fiz dois filhos (com a jornalista Mirtes Wiermann). Hoje para levantar é uma dureza.

O sexo mudou com a idade?

Mudou. Eu tenho diabetes, então diria que hoje sou uma Minardi, mas já fui uma Ferrari.

Já usou Viagra?

Uso sempre. Peço pra Matilde comprar para mim. Eu tenho vergonha de pensarem: ‘Pô, esse cara não levanta mais o p…?’.

Anderson Passos

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