Revellion e enchente

No revellion lá fui eu a Cotia, encostadinho em São Paulo para, a convite da onipresente Marina Diana, acompanhar e festejar a passagem de ano.

Ainda que lá tenha chegado na sexta-feira (30/12), um vizinho exultante disparava fogos de artifício sem intervalo. O resultado disso foi uma crescente irritação, pois que os cachorros da casa, Rebecca e Suzi, em especial, se apavoraram.

No dia seguinte, a véspera do ano novo, fez-se mais onipresente que a Marina a chuva, que quase sem intervalos caiu sobre a grande São Paulo.

Depois de dar uma força nos afazeres da casa ao longo do dia, eis que veio a noite. Banhei-me lá pelas 22h e pus a minha nova camisa do Fluzão, a espera da hora da virada.

Os foguetes do vizinho maldito continuavam e, de repente, passaram a explodir bem em cima da casa dos meus cicerones. Então eu e Ferdinando, marido da Marina, fomos tentar saber quem eram o tal vizinho. Antes de pressionarmos a dupla, um zelador do condomínio atendeu a chamado de outra moradora e alertou os cretinos sem que precisássemos sujar as mãos com as vísceras deles.

Chegando na casa, caiu um temporal graúdo e um alagamento no costado da garagem colocou-nos em alerta. O nível da água subia rapidamente e poderia invadir a sala causando prejuízos consideráveis e esculhambando a nossa ceia.

Ferdinando, de repente, estava na chuva tentando desobstruir o encanamento. Em vão.

Minutos depois embrenhei-me também na tarefa de verificar que ralos estavam entupidos e quais poderíamos salvar para mudar aquele quadro preocupante, até que chegamos à mais drástica conclusão: seria preciso furar um muro de contenção para fazer a água, a esta altura subindo pelos tornozelos, escoar.

Com um martelo e um pedaço de ferro, que mais parece um prego gigante – não sei o nome do instrumento – Ferdinando então começou a produzir o “túnel”.

Nisso o vizinho fogueteiro maldito disparava mil foguetes de novo enquanto eu lhe amaldiçoava graúdo com milhares de palavrões e xingamentos. Sim, fogueteiro bom é aquele que perde os membros, ao menos para este cronista.

Volto à chuva torrencial: a situação era tão feia que nem brincar de Datena eu conseguia. A brincadeira consistia simplesmente em imitar o apresentador em meio às enchentes que assolam São Paulo todo dia a cada verão.

Quando a missão parecia ser de sucesso improvável, sugeri o uso da picareta. Mas, quando cheguei com o instrumento, o buraco estava feito e, felizmente, a água passou a escoar com grande velocidade, o que salvou a noite.

Acabamos brindando a noite com uma especialíssima Chandon, comigo a bordo de uma taça pois que a trabalheira ao longo do dia foi graúda.

Que o próximo revellion nos seja mais generoso ainda em saúde e menor broncas para resolver.

Anderson Passos

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Um comentário sobre “Revellion e enchente

  1. Capitão Anderson, um Feliz 2012 de muita (e mais) saúde e maiores alegrias! Nós quatro desejamos vitórias (que hão de vir) e sua presença sempre constante em nossa família! Orlando, Fernanda, Guilherme e Beatrix!

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