Perdidos e insones

Desde de que me vi parkinsoniano passei a dormir a base de um relaxante muscular. A ideia é que esse sono forçado estimule a produção deficiente de dopamina, substância que os doentes pouco ou nada produzem.

Escrevo este texto exatamente às 5h50min desta sexta-feira, 13 de janeiro, direto da região central de São Paulo. Sexta-feira 13 mesmo pois que, por volta de uma hora atrás, um sujeito maldito, com uma potente caixa de som na traseira do que me pareceu uma pick up, foi meu imprestável despertador disparando um funk inominável em meus ouvidos e na vizinhança, claro.

Não sei de onde tirei forças para vestir um roupão, ir à geladeira, apanhar ovos podres e me dirigir à janela do meu prédio. Mas o fiz.

E lá chegando, tragicamente, vi o carro do maldito, que certamente terá um câncer no ânus, estacionado muito longe do alcance da minha artilharia. O curioso disso tudo é que uma viatura da PM passava pela rua naquele exato momento. Daí alguém dirá:

– Opa, será que algum vizinho chamou?

– Agora, sim, levaram o cidadão ou, pelo menos, fizeram ele baixar o volume.

Respondo: nada, mas absolutamente nada mudou ou aconteceu.

A viatura passou reluzente sem nada fazer. Coisa de uns 15 minutos depois que a polícia passou – e se omitiu – o sujeito que terá um câncer anal foi embora.

Espero que essa maldito volte e estacione cá embaixo se tiver coragem. O cesto de lixo e os ovos podres o esperam ansiosos. Porque, a esperar pela polícia, nós moradores do centro estaremos perdidos. E insones.

Anderson Passos

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