Trote

Caminhava dia desses na região da Consolação quando flagrei uma reunião de jovens – com direito a interdição da rua – para a festa dos aprovados no vestibular do Mackenzie, uma das universidades mais importantes do País.

Vendo o pulular daquela massa frenética – altamente justificada – vi uma centena de garotos e garotas sujos de tinta. Mas, saindo do olho do furacão, vi um rapaz embriagado amparado por outro. Este tinha parte dos cabelos cerrados à máquina zero.

Ver aquilo me remeteu ao “trote” que recebi ao ingressar na Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos – em São Leopoldo (RS), no segundo semestre de 1995.

Um veterano recebeu-me e olhando minha grade levou-me a uma sala que não era a minha, o que percebi somente na hora do intervalo. Foi apenas isso, uma quase inocência.

Ver os garotos banhados de tinta não me parece totalmente mau. Triste, e digno de estupor, é se ver os futuros bacharéis de hoje humilhados por veteranos. Mais deprimente ainda é saber que adiante, os que são humilhados hoje serão os patrocinadores dos abusos sobre os futuros calouros, aos olhos inoperantes das universidades.

Anderson Passos

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