A ditadura e a Globo

No final de semana que passou fui à Cotia, interior paulista, onde estive com a onipresente Marina Diana e seu marido Ferdinando. Mas este não é o assunto. Ocorre que no domingo (4/3) acordei 5h de manhã e corri à TV para me distrair diante da frustração de, mesmo medicado, dormir tão pouco.

Passando pela TV a cabo, dei de cara com um documentário sobre o engenheiro Rubens Paiva, um dos tantos desaparecidos da ditadura brasileira, a única da América Latina a cerrar os olhos contra os torturadores.

O brilhante documentário, exibido ironicamente pela Globonews – não esqueçamos que a Globo, bem como a classe média da época, deram suporte à ditadura – foi conduzido pela jornalista Miriam Leitão e devo me dizer surpreso com o trabalho que certamente orgulha aqueles familiares que, até hoje, passado o regime de exceção, sequer tiveram como enterrar seus mortos.

Uma cena que choca, no entanto, é quando a jornalista questiona um sujeito ligado ao Exército – se não me engano – sobre a prisão e tortura sofridas pela presidente Dilma Rousseff no período.

Onde o sujeito sapeca como resposta algo como “será que foi torturada mesmo? Eu não sei”.

Ainda que emocionante e que Comissões da Verdade em níveis federal e em alguns casos estaduais, tentem apurar o que se passou, é imperioso dizer que a Lei da Anistia – um dos últimos suspiros das fardas no poder desse País – foi costurada de forma hábil, uma vez que isenta de culpa tanto torturadores quando aqueles que aderiram à luta armada e cometeram crimes contra militares e civis entre os anos de 1964 e 1985, vedando sua revogação.

É exatamente este “trato de cavalheiros” que permitiu a volta de muita gente do exílio para o País, por exemplo. Essa lei bem amarrada é que acaba por deixar de mãos amarradas aqueles que ainda sonham em dar uma despedida digna a seus mortos. Uma ferida que, infelizmente, não para de sangrar e, ao que parece, será inestancável.

Upload concreto – o entrevistado que questiona as torturas sofridas pela presidente Dilma é o general da reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva.

Anderson Passos

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