Jornalismo e humor

Sou em defensor de que jornalismo e humor eventualmente podem flertar, mas que são grandezas diferentes. O pessoal do CQC, talvez inspirado no personagem Ernesto Varela encarnado por Marcelo Tas, age diferente, não sem prejuízos.

Essa semana viu-se um “repórter” da atração tumulturar o que seria uma entrevista coletiva da secretária de estado americana Hillary Clinton, que passou por Brasília em visita à presidente Dilma Rousseff.

Na tentativa de entregar uma máscara de carnaval à representante americana, fotógrafos ficaram sem imagens e jornalistas sem história para contar, senão a cena do cqcista.

Sou um defensor do Jornalismo – não podia ser diferente, aliás – e me parece inconcebível que jornalistas tenham que dividir espaço com humoristas nesses eventos.

Outro dia eu mesmo passei por problema semelhante: eu fazia a cobertura da aclamação do ex-governador José Serra com prefeiturável do PSDB quando a dona Mônica Iozzi quis entregar ao pré-candidato tucano uma cartolina cujos dizeres sinalizavam que ele cumpriria seu mandato de quatro anos se eleito. Eu mesmo adverti do abuso, mas quem sou eu senão um jornalista tentando manter uma entrevista coletiva.

Fato é que os seguranças do PSDB agiram rápido e tiraram Serra dali sem que a moça tivesse sucesso em sua empreitada. O diabo é que, não fosse pelo discurso longo do tucano, eu não teria matéria porque graças à iniciativa do CQC não houve coletiva.

Espero que os assessores de imprensa sejam mais cuidadosos ao convocar os veículos para eventos desse naipe. Eu gostaria de, sinceramente, ir num evento sem correr o risco de uma pergunta infeliz ou de uma provocação fazer ruir o meu trabalho.

Encontrei o mesmo “repórter” do CQC naquela que talvez tenha sido uma de suas primeiras pautas. Era um seminário de prefeitos na Assembleia paulista e ele perguntava, dado o quórum baixo:

– Cadê os prefeitos? Alguém aí viu um prefeito?

Havia uns poucos, é verdade, mas nada que permitisse esculhambar o evento. Pois assim agiu o humorista. E quando um sujeito entra em campo para atrapalhar o trabalho dos jornalistas provocando potenciais fontes a uma resposta ríspida ou irritada, eu realmente fico a lamentar.

Espero que o CQC jamais dependa de ajuda minha para esse tipo de “trabalho”. Porque, se for o caso, a minha solidariedade será zero.

Anderson Passos

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