Jogo baixo

Outro dia eu caminhava vadio no entorno do meu bairro quando num sábado à tarde. Ao chegar à rua onde moro, flagrei um travesti novo no pedaço.

A cada carro que passava, o traveco, de estatura mediana, abria a jaqueta de couro falso e exibia seios siliconados.

De repente, alguém que já faz ponto na área, chamou a atenção da outra (o):

– Olha, aqui não pode esse jogo baixo não, mona.

O dono das peitolas falsas fez ouvidos moucos e continuou se exibindo. Como eu passasse perto, quase a esfregar o peitoril falso em mim. Esquivei-me, como sempre faço.

Então o traveco que dera o recado sobre o jogo baixo, reforçou.

– Não mexe com morador não, mona.

Entrei no prédio e nisso o traveco já instalado na área era acompanhado por dois marmanjos. Quando cheguei ao meu AP no quarto andar, corri à janela e vi a traveca ousada correndo com a jaqueta de couro – ainda mais falso que o silicone – em frangalhos.

Anderson Passos

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