Trilhas Matadoras (26)

Nada escrevi sobre o Dia das Mães, data já um tanto longínqua, mas o faço agora.

Lembro bem de um noite dos anos 90 quando pus no meu som a trilha Running to Stand Still, do U2. Éramos eu e meu quarto no transe da melancólica melodia que fala de uma dependente de heroína.

E de repente, surge pela porta do quarto de tamanho mínimo a minha avó. Ela sabia que eu estava triste. Eu orgulhoso a disfarçar que estava tudo bem.

Nós abraçamos. Nada dissemos. Segurei o choro, como tento contê-lo agora.

Ali comecei a perceber que o álcool e otras cositas más que carregavam em mim me matariam. Felizmente minha avó sobreviveu para assistir minha volta por cima. Infelizmente não viveu o suficiente para me ver formado, ela mesma que tanto me ajudara.

Felizmente minha mãe estava comigo para nos confortar mutuamente quando minha avó nos faltou – e ainda nos falta. Felizmente outras mães apareceram no meu caminho paulistano como Walkyria Diana, Maria José Nascinento e, sim, também a Alzirinha. A elas as minhas profundas homenagens.

Anderson Passos

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