Transe

Dia desses fui na minha neurologista para saber o quanto meu companheiro Parkinson já havia avançado ou não. Vendo que eu tremia desabaladamente, ela mostrou-se um tanto chocada com o que vira. e tanto, que mandou-me comprar uma medicação chamada Akineton.

Comprei e, por dois ou três dias, me mediquei conforme eu e ela estabelecemos. Os dias avançaram e eu me vi regredindo.

Por mais de uma vez me vi em transe ao subir escadas ou a andar na rua. Minha dicção, que já é uma bosta, desapareceu de todo. A boca secou mais ainda e até minhas frases ficaram desconexas. Pior que eu tinha ciência do que dizia – comentando que estava errado – e culpando na medicação.

Apavorado pois que até vultos eu enxergava, e com eles dialogava aqui em casa coisas absurdas, escrevi para a minha doutora que cravou:

– Corte o Akineton imediatamente.

Hoje, enquanto escrevo este texto, as coisas vão se encaminhando melhores. É torcer para, até o próximo mês, os avanços sejam retomados.

Anderson Passos

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