O tal de Protógenes

Li na coluna da Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, já há algum tempo, que o delegado licenciado e atual deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) lançou uma revista para júbilo pessoal.

Na publicação, o sujeito que comandou a Operação Satiagraha, da Polícia Federal, faz um auto elogio afirmando que o comando da missão lhe foi passado diretamente pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A iniciativa, embargada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no ano passado, merece ainda uma ironia em forma de cordel, pela revista do parlamentar.

Com delegado afastado/A coisa não anda boa/ Em missão presidencial/ Largaram o cara à toa (…) A Missão Satiagraha/Reprimiu grande banqueiro/ um grandão que parecia/ intocável por dinheiro/ Porém no final termina/Com ministro que fulmina/ com ar de pipoqueiro”.

No melhor estilo Tropa de Elite, Protógenes anuncia com pompa e circunstância que está ajudando produtores de cinema americanos num roteiro sobre a frustrada tentativa de “caçar o banqueiro ladrão”.

O delegado é alvo de processo por parte do banqueiro Daniel Dantas, do banco Oppottunity, preso duas vezes e duas vezes solto pelo ministro Gilmar Mendes, então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) em 2008. Dentre as acusações estão crime de abuso de autoridade e outras irregularidades como a coleta de provas a partir de escutas telefônicas não autorizadas pois que os espionados – está na lei – devem ter ciência do fato de que estão sendo vigiados pelo Estado. A lei é burra? Concordo. Permite que advogados espertos libertem clientes suspeitos? Claro. Logo, mude-se a lei. Enquanto isso não acontece, que a mesma seja cumprida – deformada ou não.

Volto às escutas ilegais. O caso é que essa parte da história Protógenes omite. Afinal, ele se vendeu como um “baluarte da ética” e seus eleitores caíram no conto do vigário. Uma pena que os eleitores não tenham se preocupado em vasculhar as entrelinhas da polêmica operação.

Mais deprimente é que órgãos de imprensa acreditem e divulguem que o delegado licenciado é sim uma sujeito absolutamente indigno de críticas. Triste Brasil…

Ontem (30/05), lá estava o sujeito polemizando na CPI do Cachoeira ao insinuar que Gilmar Mendes e o senador Demóstenes Torres apanharam carona em aviões oferecidos por Carlihhos Cachoeira e, mais grave, para ficar ainda mais evidente na mídia, o denunciante afirma ter tido acesso a escutas que comprovariam a tese.

Bem, se reeditados os métodos e expedientes da Satiagraha, tal manobra do “deputado/delegado caçador de banqueiros” não vai passar de mais uma fanfarronice.

Anderson Passos

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s