Coming back to life (1)

Eu não sei se deveria revelar isto, mas vambora: um dos sintomas mais pesados do Mal de Parkinson é a reclusão.

No meu caso, ela se deu de modo progressivo, ainda que eu não conhecesse a causa – fui diagnosticado apenas em dezembro úlitimo.

Mas voltemos ao meu período abominável. No começo, não tinha vontade de sair para almoçar com ninguém do ambiente de trabalho. Uma vez, logo chegado ao jornal onde trabalho, fui instado pela onipresente Marina Diana, então colega de redação, a almoçar com ela e os demais colegas.

Tremi full time e mal consegui comer. Achava que era o frio da barriga do emprego novo. O tempo provou que não. Dali em diante, ou almoçava com a Marina – quando ela vinha almoçar no jornal – ou nem almoçava. Ou o fazia sozinho, correndo. Pra ninguém ver o meu estado “vibratório”.

Vida noturna então, nem pensar. Contam-se nos dedos de uma mão as vezes em que saí. No máximo padarias, cervejinhas – quando podia – e só. Nada de baladas.

Mas eu tinha amuletos. Que o tempo me ajudou a perceber com clareza espetacular.

Anderson Passos

Eventos jornalísticos também era a mesma coisa. Tremores em menor ou menor grau e vergonha. Toda a vergonha do mundo. Então veio o diagnóstico e comecei a ler a respeito e comecei a entender o por que de alguns comportamentos.

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