Carnificina

No sábado (7/7) que se foi decidi que era tempo de ir cortar o cabelo e, sim, fazer as unhas. De uns quatro ou cinco meses pra cá resolvi que cuidar das unhas não é de todo mal, dado que as minhas são problemáticas pois que criam cascos de cavalho e, claro, encravam com extrema facilidade.

Daí que vi o treino da Fórmula 1 e, em paralelo, tentei agendar a coisarada desde às 9h ao telefone. Só às 11h30min tudo ficou arranjado.

Chegando ao local no começo da tarde, na região da Faria Lima, vi que meu barbeiro de sempre lá estava. Dona Helena, que me apresentou seus alicates com cuidado de uma enfermeira e que primeiro cuidara de meus cascos estava no Pará revendo a família, sem previsão de retorno.

A corinthiana que a substituíra – e para a qual perdi a aposta de que o time venceria a Libertadores da América – estava de folga. A aposta era apenas essa: se o Corinthians fosse campeão, eu pagava o dobro do valor pelos serviços dela. Ainda bem que ela faltou.

Mas, se de um lado me safei, dei de cara com uma baiana de apenas 18 anos. O nome dela me escapa, mas cumpre-me dizer que foi um começo de lavoro difícil para os dois.

Dado que eu tremia por conta do Parkinson – e talvez ela confundisse meu temor com pavor – ela arrancou-me centenas de pedaços de carne da mão direita, ignorando meu “vai com calma, baiana porreta”.

Diante dos meus apelos, a mão esquerda foi tratada com mais aprumo. Sempre e só com um alicate que parecia de estimação dado que o cabo era de um azul escuro que parecia perolado.

Donde, a seguir, passei-lhe o pé direito advertindo.

– Muita, mas muita calma com o pé esquerdo. O dedão é uma desgraça.

Sádica, a baiana apimentada ria. E, mais uma vez, ela deve ter produzido milhares de pedaços de chuleta a partir do meu dedão do pé direito. Uma moça que seria atendida por ela e que nos ladeava, ria.

– Vai matar o sujeito.

E eu exagerava:

– Já perdi dois litros de sangue. Mais um litro e fico escarrapachado aqui.

Ninguém entendeu patavina. Então dei à baiana o meu pé esquerdo quase em crise de nervos de tanto sangue que me jorrava dos pés.

– Antes de chegar ao dedão, quero uma pausa de mil compassos.

Ela devolveu-me um “óxente” e quando vi que o alicate sanguinolento me deceparia, puxei o pé que repousava trêmulo no colo da moça. Voltei a recomendar:

– Eu tenho trauma desse dedão aí porque na infância minha vó tinha mão pesada igual à sua e me perseguia com alicate pela casa.

Ela tomou meu pé de volta, escondeu habilmente com as mãos “as cirurgias” que me fazia enquanto seu alicate trabalhava. O resultado é que, num piscar de olhos (tenho a sensação de que a baiana estava irritadíssima), finito.

Agradeci por educação. Ainda vejo a baiana arretada com o avental branco marcado de minha “santa sanguinolença”. Quando voltar lá, levo um facão pra me prevenir dos ataques dela.

Tempo redundante: esse é o post de número 800 deste blog personal, mas nem tanto. E tanto assim que ele não durará mais. Mas falemos disso em tempo ou outro tempo.

Anderson Passos

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