Do engajamento

Eu lembro de, numa época distante, ter sido estagiário simultaneamente na rádio FM da universidade onde estudei e de trabalhar como rádio-escuta no governo do estado do Rio Grande do Sul, gestão Olívio Dutra.

Para quem desconhece o jargão jornalístico, rádio-escuta é o peão da assessoria de imprensa que comunica que determinado apresentador, de determinada rede, está dando um malho e que um direito de resposta pode, eventualmente, inibir estragos à imagem, etc.

Mas eu dizia de engajamento e, mesmo naquela época o meu era zero, estritamente profissional. Tanto era que um colega da FM, sempre que me via chegar, sapecava:

– Chegou o vermelho.

Quando na verdade, outro colega em comum relatou, vermelho (era uma forma que usávamos para classificar petistas) era o meu próprio crítico que tinha ficha partidária, carteirinha, o escambau e, ao que leio por aí, ainda tem e usufrui consideravelmente dela.

Volto ainda aqueles tempos para acrescentar que tanto meu engajamento foi zero que Olívio não se reelegeu, assumiu Germano Rigotto (PMDB) e eu me mantive nas funções até o final do meu estágio e fui recomendado para atuar na Assembleia Legislativa. Tudo por méritos profissionais e não necessariamente por cores partidárias.

Eu dizia de engajamento e vou terminar. O meu último resquício dele, que ainda mantenho vivo, é o de jamais trabalhar para qualquer maldito pastor evangélico. A Record, por exemplo, paga mais? Pode até pagar, mas a grana me parece vir suada de gente humilde, descerebrada, que aposta todos os seus quinhões na roda viva das madrugadas de um Fala Que Eu te Escuto da vida. Donde, com orgulho, afirmo: que vão de retro, como eles mesmos gostam de dizer.

Agora encerro o texto: eu não lembrava de um último ato de engajamento meu até que ontem, lendo o blog do Juca Kfouri, me deparei com uma petição para trocar o nome do Engenhão, hoje creditado a João Havelange, para o jornalista João Saldanha.

Justificava o Juca que, dadas as denúncias de pagamento de propina pela Justiça da Suíça ao ex-dirigente maior da Fifa e da CBD, não havia sentido manter a homenagem a Havelange. No que estou amplamente de acordo. Ademais, fã de carteirinha do João Saldanha – herança do meu amado avô Prony da Silva Passos – e do próprio Juca, que sempre me acolheu amavelmente, fui lá e assinei a petição.

Pra chegar ao Blog do Juca, o caminho é este. Para assinar a petição para o Botafogo criar vergonha na cara e saudar um de seus mais ilustres torcedores, clique neste espaço.

Anderson Passos

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