Madrugada intensa (2)

Os arruaceiros do carro tunado se foram, mas outros ainda viriam com barulho ainda maior, mas sem permanecer nos arredores por tanto tempo. E comecei a temer pelo sono, haja visto que eu teria uma agenda de trabalho em pleno sábado.

Ainda assim, voltei á cama, virei-me nela mais que pude e a verdade é que qualquer ruído me punha em tensão. O rádio de um táxi com conversas entre a central e os outros carros que circulavam pela cidade berrava.

E, como aquilo se prolongasse, também o rádio dos vigias do prédio do Tribunal de Justiça, localizado quase em frente, também era só berros, como se todos quisessem – ansiassem – por se comunicar naquele exato instante, que deveria ser de sono. Meu e dos meus vizinhos.

Então veio a cereja do bolo: um grupo de meninas – que não sei descrever se eram travestis ou putas ou bêbadas – cantarolava. A essa altura, eu voltei à janela, sem ovos à mão.

Para meu desespero, uma delas berrava ‘eu quero tchu, eu quero tcha” – e só ficava nisso – enquanto o grupo, vendo a cena, incentivava:

– Desce até o chão, vadia.

A outra, meio trôpega, bem que tentava.

E eu, já sem a embriaguez saudável do sono, só fazia desesperar. Já passava das 5h30min e eu precisava dormir para despertar em melhores condições para, mais tarde, encarar o lavoro. E tudo o que eu podia concluir até aquele instante era: o sono me fora injustamente roubado.

Anderson Passos

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