Viva La Forza De La Vita!!!!

Eis que meu sono se resume a pouco mais de três horas. A razão, como a de outrora, é plenamente feliz e justificada: chegou Heitor Diana Silva, o herdeiro da onipresente Marina Diana e do meu irmão Ferdinando. O MEU SOBRINHO!!!

Heitor chegou democrata, como foi a sua gestação: absolutamente transparente. Ocorre que por essas maravilhas de convênios médicos, aliado ao fato de que pertenço um bocadinho às famílias de um e de outro, eu e os familiares assistimos o parto, separados da grande e emocionante cena, apenas por um vidro no bloco cirúrgico da Maternidade Santa Joana.

Mas a dizer da minha felicidade, alguém poderá perguntar:

– Mas foi assim sussa?

Quase.

Primeiro que, ao chegar ao hospital, desencontrei-me da família e minha ansiedade era tanta que percorri a pé estacionamento, portaria, recepção e, chegando ao segundo andar, uma enfermeira tratou-me como se pai do bebê fosse, até que expliquei que era só o Tio Gaúcho.

Então a Fernanda Diana, esposa do Orlandinho e cunhada da Marina, trouxe a luz e os pais do Ferdinando quase que a tiracolo. E nos encontramos todos finalmente.

Marina faminta de fome e de sono. Nos olhos dela, o brilho da mãe esperança. Já Ferdinando, o orgulhoso pai, nos guiava com uma calma que eu jamais teria pelos corredores e com o mapa da mina da alegria e da felicidade.

Registre-se: mais tarde, ele seria auxiliado pelo Orlandinho, que já passou por dois partos: do meu sobrinho Guilherme e da minha princesinha Beatriz. Este meu irmão se movimentava com desenvoltura pelos corredores e explicava cada procedimento, cada passo. Diria eu que foi o co-piloto perfeito pois que a ansiedade tomava o ar.

Se eu me mostrava calmo – sem tremores até – os avós babavam, babavam e, ao nos despedirmos da nova super-mãe da família, já paramentada para o grande salto da vida no bloco cirúrgico, o choro foi livre, leve e solto. Não sei se disfarcei bem, mas creio que sim.

A seguir, chegamos à parede externa da sala de parto. E em pequenos flashes de luz, podíamos ver a Marina de frente para nós, a espera da anestesia a ser recebida na coluna.

De tão nervoso, o vô paterno Washington ia de um lado a outro do corredor. Filmou um parte em “janela vizinha” e advertiu: cenas fortes viriam. Para passar o tempo, Maria Lúcia, a vó paterna lembrava partos anteriores e já vistos.

Vanessa e Alexandre, os irmãos do Ferdinando, eram puro contraste: a primeira chorava solto vez em quando. Alexandre só tirava sarro berrando “olha lá”. Puro alarme falso. E nossa ansiedade queria puni-lo a cada brincadeira daquelas.

De repente, a imagem que ia e voltava foi ficando sem intervalos: coração apertado. Lágrimas da Marina de pura emoção contra nossas igualmente emocionadas, mas impotentes lágrimas, de quem apenas podia rezar e enviar pensamentos positivos.

– Deus, que angústia!!! – estou chorando agora, mas é de felicidade.

De repente, como num novo corte de uma cena tensa para a de uma aventura em alta temperatura, os médicos cercaram a pequena Marina. As mãos dela tremiam e eu tremia junto.

Dona Walkyria Diana estimava que a sala poderia estar gélida. Eu também. Mas algo me aborrecia.

– Que dor. Guenta pequenina, guenta!!! – berrava dentro de mim o mais alto possível.

Eis que o médico então fez-nos ver a cabeça de Heitor. Imagens da filmagem do Ferdinando mostraram que o cordão umbilical se enrolara duas vezes em volta do pescoço do moleque. Alívio.

Papai Ferdinando ergueu-se então de seu banquinho, onde conversava com a mãe Marina, chamado pelo médico que, por um dos ombros, ergueu o Heitor. Erguia-se um troféu. Choro, gritos.

O menino então, nos braços de uma enfermeira, me saiu do campo de visão e Ferdinando os acompanhava. Minutos de aperto nos olhos e no coração da Marina. Felizmente ele não demoraria.

Ferdinando contou mais tarde e isso é de arrepiar: o menino que chorara ao ser limpo por mãos estranhas a dos seus, silenciou ao perceber a voz e o cheiro da mãe que lhe acompanhou por maravilhosos nove meses e lhe acompanhará pelo restante dos tempos. Oxalá!!!.

A seguir, desfilou para a plateia incansável sob gritos e urros. E lágrimas sempre. No abraço caloroso de todos, desabei. Mas não sem perder a compostura, meu sobrinho. Fique certo. Seu Orlando, de poucas palavras e sorriso abundante, chorou sorrindo nos meus braços. Igualzinho ao natal anterior, que marcou o anúncio da gravidez.

A guerreira Marina Diana, guerreira tal e qual a mãe Walkyria Diana, diga-se de passagem, ainda enfrentou uma cirurgia para corrigir um problema gerado por uma cirurgia anterior de apendicite. Saí do hospital passava das 15h30min frustrado por não revê-la. O procedimento não terminara àquela altura.

Heitor ainda não pude pegar no colo. Farei-o. Mas foi lindo vê-lo no telão do hospital com seus 3,2 quilos e 49 centímetros de altura. Mais saudável, impossível.

Grazzie Dio, grazzie aos Dianas, grazzie aos Mariano da Silva. Viva La Forza De La Vita!!!!

Anderson Passos

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3 comentários sobre “Viva La Forza De La Vita!!!!

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