Sequestro inusitado

Dia desses, convidei uma colega para uma cervejinha pós expediente. E como este encerrou-se cedo para nossos padrões, o relógio mal batia 18h30min e já estávamos à mesa. Eu, ela e outros colegas que chegavam e iam embora. E como a turma fumasse pra burro, vira e mexe eu me via subindo as escadas do bar, localizado no coração da pauliceia, para não perder o fio da conversa.

De repente, a hora avançava pelas 22h e o boteco começou a ganhar público. Quando dei por mim, já tinha uma banda tocando ao vivo. Adelante, numa nova ida para a rua, o dono do bolicho advertia:

– Não deixem as bolsas dando sopa em cima da mesa.

Eu caguei para a orientação pois que a minha pasta estava em casa. A noite avançou, já era alta madrugada e um colega, que dançava na pista de dança improvisada ou zanzava sem rumo por ali, voltou à nossa mesa. E cadê a bolsa dele? Sim, fora roubada.

Como eu já estava alto e a maioria da turma idem, os contornos bizarros do episódio começaram a ganhar força. Do nada, o sujeito que teve a bolsa roubada disse que ia encontrar o ladrão, que lhe telefonara pedindo R$ 12 de resgate. Eu e a pequena e adorável companhia nos olhamos com espanto. E eu devo ter dito algo assim:

– Bah, mas que chinelagem.

Ninguém entendeu meu gauchês, que mais era um desabafo equivalente a um “que várzea” ou o profundo e certeiro “que merda”.

Fato é que o colega roubado sumiu na fumaça dos cigarros e apareceu tempos depois – já era algo como 5h da matina – com uma sacola plástica onde estavam seus pertences, exceção a um gravador de estimação que ele perdera e lamentava. Então o sujeito viu que se danara pois que não apenas o gravador de estimação sumira, como também uma folha de cheque. O sujeito ficou horas tentando discar para o banco e tentando achar entre os pertences a tal folha de cheque, sem sucesso em ambas as investidas.

Mais tarde, o dia raiava àquelas alturas, quando nos desgarramos do grupo.

“São Paulo amanhecendo é bonita. Mas quando o sol toma o seu lugar e sua luz evidencia o descortinar da paisagem, o centro revela-se triste”, constatei me recuperando do torpor do álcool.

Anderson Passos

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s